Foi através da janela destes três nomes ou títulos, que os primeiros cristãos olhavam para Jesus e transmitiam para os outros o significado de Jesus para as suas vidas.

* o Filho do Homem se caracteriza pela humanidade:                humanizar

* o Servo de Deus, pelo serviço:                                               servir;

* o Redentor, pela acolhida aos excluídos:                                 acolher.

Humanizar, Servir, Acolher. Estas três atitudes revelam os três traços principais por onde Deus nos mostra o seu rosto em Jesus. Indicam também o caminho de retorno para Deus: Humanizar, Servir, Acolher! Humanizar a vida. Servir por amor. Acolher os excluídos. Refazer a fraternidade universal, quebrada por causa da falsa imagem de Deus que desviava o povo do caminho do Reino. A abertura de Jesus para todas as pessoas sem distinção de raça ou de religião provinha de uma outra visão de Deus, que deveria ser a característica de todas as religiões: Deus é Pai, Abba, Papai.

Deus é Pai. No AT a palavra Pai para Deus ocorre só 15 vezes; no NT, 245 vezes! A origem desta grande diferença é a novidade da experiência que Jesus teve de Deus como Pai e na qual todos nós podemos participar. Não só Pai (Ab), mas Abba (Papai). O Pai Nosso é o salmo que Jesus fez a partir desta sua intimidade com Deus.

* O Pai Nosso, o salmo que Jesus nos deixou (Mt 6,9-13).

Abba, Pai, é o nome que Jesus usa constantemente para se dirigir a Deus. Expressa a intimidade que ele tinha com Deus. Manifesta a filiação divina de Jesus e a nova relação com Deus que deve caracterizar a vida das comunidades cristãs (Gl 4,6; Rm 8,15). A oração verdadeira é uma relação aberta que nos une com o Pai, com os irmãos e irmãs e com a natureza. Esta intimidade com Deus não é intimista. Ela faz parte de uma consciência de pertencer à grande família humana, da qual participam todas as pessoas, de todas as raças e credos. Rezar ao Pai, entrar em intimidade com ele, é também colocar-se em sintonia com os gritos de todos os irmãos e irmãs pelo pão de cada dia. É buscar o Reino de Deus em primeiro lugar. A experiência de Deus como Pai é o novo fundamento da fraternidade universal.

Na primeira parte do Pai-nosso, pedimos para que seja restaurado o nosso relacionamento com Deus. Os três pedidos mostram que é preciso viver na intimidade com o Pai, fazendo com que o seu Nome seja santificado, conhecido e amado, que o seu Reino de amor e de comunhão se torne uma realidade, e que a sua Vontade seja feita assim na terra como no céu. No céu, o sol e as estrelas obedecem à lei de Deus e criam a ordem do universo. A observância da lei Deus “assim na terra como no céu” poderá ser fonte de harmonia e de bem-estar para toda a criação.

Na segunda parte do Pai-nosso pedimos que seja restaurado o relacionamento entre as pessoas. Os quatro pedidos mostram como devem ser transformadas as estruturas da convivência humana para que todos possam viver como irmãos em igual dignidade.

* Pão de cada dia: No êxodo, o povo recebia o maná no deserto. Jesus convida para realizar um novo êxodo, uma nova convivência fraterna que garante o pão para todos.

* Perdão das dívidas: O perdão das dívidas lembra o ano jubilar (Lv 25,1-22; Dt 15,1-2) que levava os credores a perdoar as dívidas aos devedores. Esta Lei visava garantir a igualdade de todos e restabelecer os direitos dos pobres.

* Não cair na Tentação: No êxodo, o povo foi tentado e caiu (Dt 9,12; Ex 16,3; 17,3). No Novo êxodo, a tentação será superada pela força que o povo recebe de Deus.

* Libertação do Mal: O Mal, o maligno é Satanás. Ele afasta de Deus e é motivo de escândalo. Chegou a entrar em Pedro (Mt 16,23) e tentou Jesus no deserto. Jesus o venceu (Mt 4,1-11) Com Jesus e a oração do Pai Nosso que ele nos deixou nós também o venceremos.


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