A Regra não fala de Maria nem do profeta Elias. Por quê? Esta pergunta não tem resposta clara. Mas alguma luz pode ser encontrada. A Regra fala da “Fonte no Monte Carmelo” (Rc 1), junto da qual viviam os eremitas sob a obediência do irmão B. Era normal supor que a fonte no Monte Carmelo era a fonte do Profeta Elias, mencionada na Bíblia por ocasião do sacrifício, realizado na presença de todo o povo, para provar que Javé era o Deus verdadeiro. Assim quando se fala da Igreja do Santo Sepulcro, todos entendem que se trata do Sepulcro de Jesus. Não é necessário acrescentar “de Jesus”. O mesmo vale para a “Fonte no Monte Carmelo”. Não é necessário dizer que é de Elias.

O mesmo vale para o Oratório que tinha sido construído no meio das celas (Rc 14). Todos sabiam que este Oratório era dedicado à Santa Maria do Monte Carmelo. Tanto assim que os frades que viviam ao redor deste oratório receberam do povo o nome que carregamos até hoje: “Irmãos da bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo”.

Nas outras Ordens, a vida dos fundadores era o modelo para os seus seguidores saberem como viver em obséquio de Jesus Cristo. Por exemplo, São Francisco para os franciscanos, São Domingos para os dominicanos. Com os primeiros carmelitas aconteceu o contrário. Eles não tinham fundador. Eles eram os fundadores que escolheram para si os modelos de Elias e de Maria para saber como viver em obséquio de Jesus. Escolheram Elias e por isso foram morar no Monte Carmelo, onde eram bem vivas a presença e a memória do profeta Elias. E lá no Monte Carmelo construíram a capela em honra de Santa Maria do Monte Carmelo. Assim, inspirando-se em Elias e Maria iniciaram a viver em fraternidade agrupados ao redor do irmão B, ao qual prometiam obediência.

Sentindo que esta sua vida era diferente dos outros grupos religiosos, quiseram uma aprovação da Igreja. Por isso, elaboraram uma proposta ou esboço, que levaram ao patriarca Alberto, para que desse a sua aprovação (Rc 3). Assim, a Regra do Carmo, elaborada pelos fundadores, redigida por Alberto e aprovada pelo Papa Inocêncio IV, no fundo, nada mais é do que a descrição do caminho daqueles que procuravam viver em obséquio de Jesus Cristo imitando o modelo de vida do Profeta Elias e da Virgem Maria, a Mãe de Jesus.

O caminho descrito na Regra é progressivo. Descreve a lenta subida do Monte Carmelo que desemboca no silêncio profético que faz pensar no profeta Elias (Rc 21). É também uma caminhada progressiva de escuta atenta da Palavra (Rc 10), para que a Palavra se encarne em nós como em Maria. Elias e Maria estão presentes na Regra, tão presentes quanto o olho que vê tudo e não pode ver-se a si mesmo.


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