A acolhida como necessidade humana.

Existem diversas formas de conceituar o termo acolhida. Pode ser entendido como: estabelecer relações com as pessoas, ir ao encontro da realidade pessoal dos indivíduos, escutar o que o outro tem a dizer, assumir suas dificuldades e sonhos, enfim participar da vida do outro. As formas de acolhimento dependem, não raras vezes do especifico de cada cultura. 

A história humana testemunha a diversidade de maneiras de acolhimento. Entre alguns índios acolher vai desde abrir as choupanas, a aldeia até oferecer as mulheres da tribo. Em diversas culturas, o acolhimento se reveste de forma simples, oferecer um cafezinho, convidar para uma refeição, entregar flores, interessar-se pela situação da pessoa, enfim, utilizar várias maneiras para expressar amizade ou intenção de se construir um relacionamento. 

Uma das primeiras formas de acolhimento que as pessoas experimentam é a aceitação por parte do pai e da mãe na gestação de uma nova vida. Esta aceitação tem grande importância para o desenvolvimento do novo ser. A rejeição pode conduzir a um processo vital com muitas lacunas. Acolher a nova vida é a forma mais originária de amor, é a primeira manifestação de que os pais estarão presentes em todas as situações daquele ser em gestação.  

As recordações do cuidado manifestado pelos pais e responsáveis marcam a história da pessoa. Como também a rejeição e o abandono deixam sequelas por vezes irreversíveis no processo de crescimento e na vida adulta. 

A dificuldade e a facilidade de acolher e ser acolhido, entre outros fatores, por vezes reflete os paradigmas trazidos desde a infância. A acolhida é realizada por meio da linguagem e expressa pelos gestos, como o abraço, o afago entre outros. 

Assim o ser humano desde seu nascimento necessita da acolhida do outro. A relação com o próximo se inicia desde o processo gestacional e perpassa todo a sua existência. 

O fato da socialização humana na história da humanidade demonstra a necessidade de convivência e acolhida para a preservação da espécie.        

Hospitalidade, uma forma de acolher na tradição vetero-testamentária

No Antigo Testamento a acolhida com o próximo era demonstrada por meio da hospitalidade, que é o ato de acolher o outro, o acolhimento afetuoso, hospitaleiro. Antigamente a palavra hóspede tinha duplo sentido de quem hospeda e de quem é hospedado. Atualmente somente significa a pessoa hospedada, aquela que recebe hospitalidade, que é acolhida.

O sentido da hospitalidade no Antigo Testamento é a boa acolhida e recepção que se faz ao estrangeiro ou visitante. Três termos designam o estrangeiro no antigo testamento Ger, em grego paroikos, que é estrangeiro residente no país e que goza de estatuto jurídico que tende assimilá-los aos judeus. Se aceita o judaísmo será prosélito. Nokri, em grego xenos, é o estrangeiro de passagem, não tem mais direito do que a hospitalidade. Zar, allógenes em grego, é o não judeu, o de outra raça, geralmente é designado como inimigo do povo.

Os filhos de Israel passaram pela experiência de viver como estrangeiros fora de sua pátria e a essa experiência suplicam a Javé pedindo que não se oprima o estrangeiro. No Antigo Testamento o ponto central é a aliança que Deus fez com um povo escolhido, Deus vem em encontro de seu povo e se comunica, acolhe e é acolhido. 

A fidelidade a aliança realizada com Deus marca profundamente a leitura vétero-testamentária, e quando o povo se afasta do compromisso da aliança, enfrenta as diversas situações de guerras, divisões e morte. 

Entre inúmeros personagens, Abraão é um dos principais do antigo testamento. Ele vê três homens e insiste que eles se hospedem em sua tenda, oferece-lhes a melhor provisão, como era servido aos hóspedes de honra. Este é o fundamento da hospitalidade em Abraão. 

De acordo com o relato bíblico Abraão acolhe os hóspedes, e oferece o melhor alimento que é preparado por sua esposa Sara, serve os hóspedes e permanece em pé, posição de estar pronto para servir, enquanto os hóspedes se alimentam na sombra da árvore. No encontro com Jesus, Zaqueu desce da árvore e se coloca de pé, posição de prontidão e acolhimento. 

É o que realiza Ló quando insiste em receber em sua casa os mensageiros de Deus, se responsabilizando por eles, colocando-os acima da segurança de suas filhas quando os mesmos são ameaçados. É uma acolhida e hospitalidade incondicional, sendo que sem saber hospedaram anjos.   

Na tradição vétero-testamentária aquele que era acolhido também podia ser o parente que não se via há algum tempo, e é festa acolhe-lo em casa. Labão oferece sua casa e Raguel recebe com prazer Tobias. 

Observamos que os moabitas e amonitas são duramente condenados por não trazerem pão e água para os israelitas quando de sua caminhada pelo deserto rumo à terra de Canaã, contrariando o princípio da acolhida e hospitalidade. 

Diante da necessidade de acolhida resulta a recomendação legal de amar o estrangeiro.     

Assim Deus será a defesa do excluído e julgará seu opressor. No Novo Testamento Jesus Cristo amplia este princípio na parábola do Bom Samaritano ao colocar o estrangeiro na categoria de próximo a quem se deve amar como a si mesmo, o que para Jesus significa cuidar dele e por ele se responsabilizar. 

A prática da acolhida e hospedagem no Antigo Testamento é incondicional, não resultando de uma afinidade étnica, nacional ou cultural, tem como fundamento um princípio ético, espiritual e de amor ao próximo. 

Deus revela-se como relação, assim a Sagrada Escritura nos orienta a mensagem de que a humanidade necessita de viver esta relação de fraternidade e acolhimento com o próximo.  

Hospitalidade sagrada   

O povo no Antigo Testamento compreende a hospitalidade como norma sagrada: “Se um estrangeiro habita convosco na vossa terra, não o molestareis. O estrangeiro que habita convosco será para vós como um compatriota, e tu o amaras como a ti mesmo, pois fostes estrangeiros na terra do Egito. Eu sou Iahweh”.  (Lv 19,33,34)

A norma da hospitalidade, acolher o outro é algo tão sagrado que a honra do hóspede é maior que a honra da própria filha. 

O profeta é acolhido com cuidado especial.  A pessoa que acolhe oferece o há de melhor na casa, até mesmo o único alimento.         

Por ser orientação divina, o ato de acolher o próximo tem sentido de respeito e obediência a Deus.

O profeta Isaias, orientou o povo que voltava do exílio, sobre a prática da acolhida. Ele ressalta o que realmente agrada a Deus que são os atos de solidariedade e acolhida com o próximo.  (Is 58,1-12)

Profetas denunciam a falta de acolhida com o próximo

Os profetas denunciavam aqueles que esqueceram a aliança com Deus, e excluíram o próximo, eles recordam as pessoas que a lealdade à promessa divina consiste em trabalhar pela justiça e acolher os mais fracos.

O profeta Isaias orienta na acolhida ao próximo, relacionando a prática de jejum com as obras de misericórdia: acolher principalmente aquele que está faminto, os pobres desabrigados e não se esconder daquele que é semelhante a ti.  (Is 58,7)

No livro dos Provérbios, constatamos que o termo próximo amplia sua compreensão para o sentido do outro, a oportunidade de acolher não deve ser repudiada, deixada para outro momento. O próximo não é somente aquele com quem tenho vínculos relacionais; todo aquele que encontro é meu próximo. 

A humanidade é acolhida pelo criador

Deus é aquele que acolhe a todos sem acepção das pessoas, ele acolhe em sua tenda. Exige para isso condições e cumpre o rito da hospitalidade, pois ele ungirá a cabeça com perfume, preparará uma mesa e acompanhará no caminho, será para o justo o baluarte forte que o acolhe e protege. 

Ao longo dos séculos, Deus falou ao coração do homem para que ele O descubra de maneira pedagógica e progressiva. Escolheu para Si, entre todos os povos da terra, um pequeno povo, Israel, a fim de estabelecer uma aliança com ele. Através desse povo, todos os povos da terra vão aprender que Deus existe e que tem um plano para os homens.  

Para os judeus, Deus é considerado como hóspede divino do templo e será uma graça habitar em sua morada. Caminhar para a casa do Senhor, ser acolhido, será uma alegria. 

Jesus ensinou aos seus discípulos a acolher as pessoas com o olhar do Pai e do Reino. O amor e a acolhida estão na essência de toda a ação de Jesus. Jesus revela o Pai, que é amor e misericórdia. Por meio da encarnação de Jesus, Deus acolhe a humanidade e faz morada.

Na tradição vetero-testamentária, o ato de acolher o outro além de ser preceito é um ato de fé, o estrangeiro é um memorial vivo, recordando ao povo de Israel que outrora foi estrangeiro no Egito, que foi peregrino no deserto e que está na terra de passagem.

No relato de Abraão, o estrangeiro é o “outro” que remete ao “outro” que é Deus. O Deus da fé é o forasteiro, o absolutamente outro que, no entanto, está próximo visita o homem e revoluciona a sua vida. 

Este Deus se encaminhou em direção ao ser humano por amor, se faz pai com entranhas de misericórdia, é o Deus que vive a “shekinah” que arma a tenda no meio do seu povo, e compartilha a sua dor e alegria”. 

Deus Pai não se revelou com um ser isolado, distante, ele se revela na comunhão perfeita com Deus Filho e Deus Espírito Santo, relação de amor, paradigma de nossa ação pastoral. É desejo do Pai que todos sejam incorporados na dinâmica trinitária deste amor. 

O ato de acolher ao outro perpassa a essência do amor de Deus, ele suscita o ímpeto de ir ao encontro do outro. Na perícope de Zaqueu, Deus desejou a conversão daquele homem, “Deus deseja da criatura humana a “teshuvá”, palavra hebraica que se traduz por “conversão”, mas que significa propriamente “retorno, regresso, volta”. Ele cria na liberdade e aguarda como Pai misericordioso o retorno dos seus filhos.

A encarnação do Filho, expressão máxima do amor e acolhimento do Pai.

A fé cristã se sustenta na certeza que em Jesus se revela a verdade de Deus, a verdade do homem e o sentido da história. Jesus em seu acolhimento, em sua pessoa e nos inequívocos acontecimentos históricos que viveu é a transparência humana, histórica e visível de Deus. Ao acolher o outro, Jesus revelou a vontade de Deus. 

“O Verbo que se fez carne é o Filho único e eterno de Deus. Feito homem se chamou Jesus, Jesus de Nazaré”. 

A encarnação do Filho é o ápice da revelação de Deus, um desvelar que vela, um vir que rompe caminho, um mostrar-se no retrair que atrai. Esta dialética de abertura e de ocultação atinge seu ponto culminante na auto comunicação pessoal de Deus no Filho encarnado, a Palavra que se diz nas palavras remete ao abissal silêncio de onde procede.  

Amor que acolhe e se faz hóspede em nossa morada humana. 

No Evangelho o próprio Jesus Cristo se apresenta como hóspede. É convidado pelos publicanos e pecadores, pelos quais é acolhido com solicitude. A presença de Jesus é sinal vivo do amor de Deus que acolhe a todos, e convida a conversão. Jesus acolhe, e revela o Pai para nós. Participa de nossa humanidade, vive a dimensão do amor e partilha, suscita o acolhimento no encontro com Zaqueu, onde se oferece como hóspede, e promove a conversão, por meio dos elementos do diálogo, partilha refeição e hospitalidade fraterna. 

A hospitalidade cristã, como acolhimento da presença transformadora do outro e como aceitação do outro por nós, mesmo sendo nosso inimigo, é sinal de fidelidade ao projeto de amor de Deus.

O olhar de Jesus provoca a fé que instaura a conversão. Zaqueu, ao descer da árvore, é movido pela fé que acolhe a salvação em sua casa. A sua fé mostrou-se eficaz: não demorou a traçar decisões concretas e gestos de benevolência para com o próximo, principalmente com os pobres.  Como sabemos a fé que não se concretiza em obras não é autentica, não é credível, não é caminho de salvação.  

O olhar de Jesus desafiou Zaqueu. E não foi um desafio qualquer. Jesus desafiou Zaqueu a mudar de vida. Os primeiros gestos de Zaqueu que foram subir na árvore, descer, acolher Jesus são coisas relativamente fáceis. Ele foi tocado, como muitos de nós somos e sentiu a emoção do chamado. O segundo passo é mais complicado: chamou Jesus de Senhor. Ora, chamar alguém de “senhor” equivale a renunciar e até desprezar outros senhores. Zaqueu tinha, por certo, muitos senhores, o dinheiro deveria ser um deles. A vaidade dos homens ricos, o outro. O exercício do poder, um terceiro. A sensação de superioridade dos espertos, mais um. Porém Jesus propõe um novo projeto na vida de Zaqueu. 

Jesus acolheu, portanto, também os ricos, mas sempre a fim de abrir-lhes o coração e as mãos. Fez amizade também com os ricos, homens detentores da cultura e da autoridade, e também a eles anunciou o Reino. Jesus nunca julgou a condição deles um instrumento privilegiado para o anúncio do Reino, como se uma vez convertidos, eles fossem, exatamente por sua posição e sua capacidade de influência, a via mais rápida da difusão da Palavra. Jesus jamais considerou o dinheiro, nem aqueles que o possuíam, nem as muitas coisas que o dinheiro se podem fazer, uma via positiva a instauração do Reino. 

O documento conciliar reforça a importância de acolher o próximo. Ele ressalta a afirmação de Jesus, que disse que quando acolhemos o outro com solicitude, é ele próprio que estamos acolhendo. 

Em nossos tempos temos imperiosa obrigação de nos tornamos próximo de qualquer homem, indistintamente; se ele se apresenta, devemos servi-lo ativamente, quer seja um velho abandonado por todos, ou um operário estrangeiro injustamente desprezado, ou um exilado, ou uma criança nascida de união ilegítima sofrendo imerecidamente por uma falta que não cometeu, seja um faminto que interpela a nossa consciência recordando a voz do Senhor:  “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim é que o fizestes”

O acolhimento é o início de uma relação de abertura. Quem acolhe, o outro com solicitude e atenção, expressa a alegria de acolher mais uma pessoa que vem para participar na comunidade. A pessoa que é acolhida deve sentir-se feliz porque sua presença é importante, suscitará o desejo de colaborar com seus dons na comunidade. 

O encontro de Zaqueu e Jesus revela a misericórdia de Deus que quer salvar, resgatar a humanidade do pecado e da morte. Jesus não condena as atitudes de Zaqueu verbalmente, porém o olhar penetra naquela alma, convertendo o coração, transformando as atitudes daquele que era tido como pecador, excluído pela sociedade. A curiosidade que impulsiona Zaqueu a querer ver Jesus, se transforma em ato de encontro pessoal, por meio do olhar de Jesus, Zaqueu desperta para a conversão, se liberta da iniquidade. 

Isto retifica uma falsa impressão que se pode ter de outras passagens do evangelho. Não é a riqueza em si o que Jesus condena sem apelação, mas o uso iníquo dela. Existe salvação também para o rico, Zaqueu é prova disto. Deus pode fazer o milagre de converter e salvar a um rico, sem necessariamente reduzi-lo ao estado de pobreza. Uma esperança esta, que Jesus não negou jamais e que inclusive alimentou, não desdenhando frequentar, Ele, o pobre, também a casa de alguns ricos e chefes militares. O caso de Zaqueu se apresenta, assim, como o reflexo da conversão evangélica que é sempre e por sua vez conversão a Deus a aos irmãos. 

Jesus acolheu a todos e ensinou as exigências de seu evangelho, não suavizou seu discurso diante do poder dominante. Jesus ensinou a prática da justiça que gera a vida e promove a fraternidade. Assim, através da acolhida realizada em sua dimensão evangélica o cristão é despertado para a compreensão da importância do outro no processo evangelizador. 

Jesus revela o rosto de Deus, seu Pai, fincando suas raízes na fé de Israel e ao mesmo tempo superando-a além de todo desejo e anseio: “Deus é amor”. “Nisto se mostrou o amor de Deus por nós: Deus enviou ao mundo seu Filho Unigênito para que por Ele tivéssemos a vida”. 

A encarnação do Filho é, portanto, a expressão máxima do amor de Deus. No Evangelho se constata esta íntima relação de Jesus com o Pai, no momento que ele afirma que quem o vê está vendo o Pai. Relevante também quando Jesus revela a relação de amor ao chamar Deus de pai, paizinho. Jesus ensina seus discípulos a rezar, e inicia a oração do Pai Nosso, estendendo a filiação divina a todos.  

Esta concepção de Deus Pai que é amor suscitou intrigas entre Jesus e as pessoas de sua época. Jesus é o centro da revelação, e a partir de sua prática ensina a humanidade a compreensão de Deus Pai, acolhedor e amoroso. 

A novidade da acolhida em Jesus Cristo. Acolhe a todos, principalmente pobres, pecadores, publicanos. 

A acolhida é necessária para estabelecer relações fraternas entre as pessoas, possibilita a abertura ao outro e sua inserção na comunidade cristã. Para ser de fato concreta ela deve ser realizada no paradigma das ações de Jesus, que acolheu a todos, principalmente os excluídos. No relato do Evangelho de Lucas encontra-se a passagem de Zaqueu, que se converte a partir da acolhida que Jesus realizou. 

O relato bíblico apresenta o Deus que se faz próximo, caminha com seu povo. Desde o Antigo Testamento Deus se faz tão íntimo do cotidiano do povo que “conhece as suas angustias” e chega a ouvir o clamor do povo. Na prática de acolhida realizada por Jesus reflete-se o amor de Deus pela humanidade. Jesus através de seus atos se faz próximo, vai ao encontro, escuta o clamor do povo, acolhe a todos, promove a vida, cura o mal liberta do pecado que escraviza e rompe as relações. 

O acolhimento, que Jesus realizou é novidade para a sociedade de sua época, pois os judeus aguardavam a vinda do Messias revestido de poder, e Deus se apresenta a humanidade como aquele que acolhe principalmente os excluídos.

No contexto histórico da Palestina no tempo de Jesus, a lei predominava sobre o ser humano, assim quem não cumpria com o preceito da lei era excluído do convívio social. A Lei regulava a vida religiosa e moral do judeu, e também governava a ordem social e política da nação judaica. Assim se compreende que qualquer sinal de transgressão da lei constituía uma ameaça não somente a fé de Israel, como também a própria autoridade religiosa e civil responsável pelo estado judaico.  A pureza e a impureza legal eram meios de discriminação, de dominação e também de enriquecimento em favor das autoridades da época. 

Jesus, diante desta realidade suscita através de seus ensinamentos e atitudes o resgate do ser humano. Jesus acolhe a todos, principalmente o excluído da sociedade, anuncia o reino de amor, denuncia a injustiça dos poderosos, provoca a conversão dos pecadores. Por meio das parábolas, utilizando elementos conhecidos da cultura daquele povo, Jesus ensina a viver a fraternidade. 

Jesus acolhe e é acolhido por Zaqueu 

Na época de Jesus havia na sociedade os cobradores de impostos, ou seja, aqueles que a nomenclatura judaica chamava de publicanos. No tempo da dominação romana todas as províncias pertencentes ao império, eram obrigadas ao pagamento de impostos ao tesouro romano. Esse serviço era como que “terceirizado”, ou seja, os romanos confiavam-no a pessoas da terra, que, como funcionários públicos” faziam a cobrança e o controle dos tributos. Essas pessoas passaram a ser chamadas de publicanos, título aplicado não só aos cobradores de impostos, mas a todos os funcionários encarregados de um serviço público para os romanos. 

Entre os publicanos estava Zaqueu que no relato do evangelho de Lucas demonstra esta necessidade inerente do acolhimento, pois ele era excluído pelo fato de ocupar o cargo de chefe dos publicanos e suas atitudes não eram condizentes com a honestidade. Mas a curiosidade suscita naquele homem o desejo de ver Jesus. Mesmo pequeno em estatura e atos ele sobe na árvore e a acolhida realizada por Jesus provoca a conversão na vida de Zaqueu. 

Muitas vezes o evangelho de Lucas é chamado “evangelho da ternura de Deus”, pelo modo como é permanente a proclamação da misericórdia e da bondade de Deus, revelada em Jesus, sobretudo em relação aos pagãos e pecadores, aqueles que eram, segundo os ditames dos responsáveis religiosos, os esquecidos e marginalizados do amor de Deus, inacessível para eles. 

No exercício de sua função, Zaqueu se desviou do projeto de Deus, pois praticava atos ilícitos. Devido à cobrança de impostos ser realizada de maneira livre, pois não havia repartições, os publicanos que cobravam impostos traziam seu material no lombo de um burro, estacionavam em determinados lugares, abriam sua banca e começavam a cobrança. Tal banca era conhecida com o nome grego “telônio”, daí chamarem-se os cobradores de “telonai.”    

Alguns cobradores praticavam a desonestidade e a corrupção gerando o acumulo ilícito de bens, pois não existiam tabelas ou códigos tributários. Eles cobravam impostos aleatoriamente, dando uma parte aos romanos e ficando, segundo afirmam os historiadores da época, com a maior parte para si, como comissão. Se o contribuinte fosse rico ou inimigo dos “telonai,” ele podia ser visitado e taxado semanalmente. Porém os olhos de Zaqueu se libertam da cegueira do pecado, o olhar misericordioso de Jesus, provoca a conversão na vida daquele homem tido pecador público.

A)  A iniciativa de Zaqueu sobe na árvore 

Quando Jesus estava entrando em Jericó uma grande multidão o acompanhava devido à curiosidade gerada pelos milagres que ele realizava. Zaqueu era um no meio da multidão, desejava conhecer Jesus, sua atitude de subir no sicômoro demonstra a abertura para o conhecimento. Jesus estava no meio da multidão, porém observa, olha para Zaqueu e provoca o diálogo, fala que naquele dia teria que ser hospedado em sua casa. 

A árvore em que Zaqueu sobe para ver Jesus é um sicômoro, é uma árvore grande, procedente do Egito, é da família da figueira, seu tronco é uma madeira dura e incorruptível, sendo que no Egito era utilizada para o ataúde das múmias. Suas raízes são resistentes, suas folhas em formato de coração, e seus frutos abundantes, se parecem figos pequenos. 

Jesus que está à porta de Jerusalém vai ao encontro de outra árvore, a árvore da Cruz, para assumir os pecados de toda a humanidade. Zaqueu, assim, quebra o orgulho, expondo-se ao ridículo. Revestido de humildade, pode receber em casa a salvação merecida por quem se deixou crucificar na segunda árvore. 

B) A dignidade de Zaqueu é restaurada, fica de pé diante de Jesus 

Jesus se faz hóspede na casa de Zaqueu, senta-se a mesa para comerem juntos, promove a intimidade, o acolhimento, superando as limitações do pecado que distanciava Zaqueu da dignidade e convivência fraterna com os irmãos. Mesmo diante das críticas da multidão, Jesus não se detém, ensina a humanidade que a salvação é para todos, sem distinção. A graça daquele encontro imprevisível foi tal que mudou completamente a vida de Zaqueu: “Eis- confessou a Jesus- que darei a metade de meus bens aos pobres e, se defraudei a alguém, lhe restituirei quatro vezes mais”. De novo o evangelho nos diz que o amor, partindo de Deus e atuando através do coração do homem, é a força que renova o mundo.  

Jesus frequentemente partilha a refeição com um pecador, pois a cada refeição o judeu louvava a Deus, e todo aquele que participava da refeição participava também da benção de Deus e se punha em comunhão com a divindade. Comer com alguém, portanto era aceitá-lo diante de Deus, esquecer seu passado e abrir-lhe novo horizonte de vida. 

Jesus se comunica com Zaqueu, inicia o diálogo, se oferece como hóspede em sua casa, a acolhida de Jesus não é exercida somente após Zaqueu se converter, Jesus acolhe o pecador e suscita a conversão. 

Jesus utiliza a comunicação não verbal, se expressa através de diversos elementos, entre eles o olhar. A antropologia judaica atribui ao rosto, com suas múltiplas expressões, uma importância excepcional. Ele consegue expressar a atitude do homem na sua totalidade. O semblante transmite as emoções e nesta dinâmica, os olhos desempenham o papel mais importante.

Zaqueu desce depressa da árvore, mostrando a pressa daquele que se coloca em prontidão. Recebe Jesus com alegria, pois se sente acolhido, com a alegria da possibilidade de conversão. Lucas reforça a palavra “de pé”, pois a partir da acolhida realizada Zaqueu está de pé, ou seja, sua dignidade estava sendo resgatada. Jesus realiza a acolhida e permanece na casa de Zaqueu, se faz hóspede na morada de Zaqueu. O hoje da salvação aconteceu na vida de Zaqueu, através do encontro com Jesus. 

Os pés nos assentam no chão, é o contato do ser humano com a terra, é a base de nossa estatura. Jesus, ao acolher Zaqueu liberta-o da escravidão. Ele fica de pé diante de Jesus. Esta posição resgata a dignidade do ser humano. É esta posição que assume principalmente quem serve de mediador entre Deus e o homem.

C) A conversão de Zaqueu, por meio da acolhida de Jesus 

Ao chegar a Jericó com seus discípulos, Jesus liberta um homem da cegueira. Caminha cercado pela multidão de pessoas que o acompanhava motivada pela curiosidade de ver Jesus, pois sua fama percorria a região. Jesus dirige o olhar para o alto, em cima daquela árvore estava um homem que mesmo olhando para Jesus estava cego diante dos atos ilícitos que praticava, pois não era honesto na cobrança dos impostos. 

Zaqueu é um dos poucos ricos que como Nicodemos e José de Arimatéia são convertidos por Jesus. A conversão de Zaqueu, que se desencadeia por sua curiosidade em ver o profeta e pela acolhida que encontra nele, não foi um puro sentimentalismo nem um vago desejo de ser bom. Sua conversão não fica nas palavras ou nos remorsos de consciência: mexe com seu bolso. A quem ele defraudou devolverá quatro vezes mais do que lhes tirou. E a metade do que lhe restar entregará aos pobres. É uma conversão bem concreta. E até “exagerada”: Zaqueu vai aplicar a si mesmo – como “penitência” por suas trapaças – a lei romana, que ordenava restituir quatro vezes mais do que foi roubado, e não a lei judaica, que era muito menos severa. Prescindirá também da norma judaica que proibia dedicar mais de 1/5 da própria fortuna aos pobres: ele dará a metade.

O gesto de acolher o próximo, realizado por Jesus, era novidade para as pessoas daquela época, o paradigma vigente era determinado pelas leis que regiam a sociedade. Jesus apresenta o Deus que vem em encontro de seu povo, se compadece com a humanidade, principalmente aquelas pessoas que eram excluídas do convívio social.

D) Jesus entra na casa de Zaqueu, local de acolhimento e evangelização

Lucas desenvolve o tema da multidão, utilizando sempre como símbolo da superficialidade no encontro com Jesus, que só se conhece em intimidade de coração.

Esta temática está presente em todo o evangelho, também no relato de Zaqueu, a multidão era impedimento para Zaqueu ver Jesus que passava. Só quando “correu a frente” e subiu no sicômoro, criou a possibilidade para ser visto por Jesus que lhe disse que queria ficar em sua casa. 

A acolhida cristã ultrapassa a dimensão quantitativa e insere o outro na dinâmica da comunidade. Comunidade que pode ser comparada com a casa “oikia” e as relações humanas que existem dentro dela, a família. No Antigo Testamento o termo casa foi utilizado para designar o santuário. É utilizado também para expressar a unidade da nação, estirpe ou família, usam-se locuções que indicam sua procedência de um único antepassado como “a casa de Israel” ou a “casa de Jacó” para designar o povo judeu ou “a casa de Davi” para a estirpe real de Davi. No Evangelho de João, a expressão de Jesus “no lar de meu Pai há moradas para muitos”, pode ser explicada como a família de meu Pai está aberta para todos.  

Zaqueu acolhe Jesus em sua casa, Jesus penetra no interior da morada de Zaqueu, no íntimo de seu coração, rompe com o pecado, provoca a conversão. Zaqueu abre as portas de sua casa a Jesus, com a alegria da acolhida. 

Esta é mais uma expressão-chave para conhecermos o rosto de Jesus no evangelho de Lucas. O evangelista Marcos utilizava o “tocar” para expressar a experiência da proximidade com Jesus naqueles que o procuravam com fé, Lucas coloca Jesus a entrar na “casa” deles. A expressão “entrar na casa” neste evangelho, está sempre associada a uma profunda transformação dentro da casa: a sogra de Pedro, o chamamento de Levi, o perdão da prostituta e a lição do fariseu, a reanimação da filha de Jairo, a imprecação mais forte aos fariseus e doutores da lei, a cura de um hidrópico a conversão de Zaqueu a experiência pascal dos discípulos de Emaús.   

O documento conclusivo da 5ª Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe retoma o conceito “casa”, comparando com a Igreja que é “casa e escola de comunhão”, “onde os discípulos compartilham a mesma fé, esperança e amor a serviço da missão evangelizadora”. 

Diante do conceito “casa” compreendemos a necessidade do acolhimento das pessoas, pois todos somos membros da comunidade cristã. Nesta compreensão, o apóstolo Paulo compara a Igreja ao Corpo místico de Cristo, onde todos os membros são necessários para o bom funcionamento de um só corpo que é a Igreja cuja cabeça é Jesus Cristo.  Na sociedade hodierna, é necessário resgatar a pastoral da casa, a Igreja doméstica. Do contrário perderemos o sentido comunitário da Igreja e seremos apenas templo.

Em Jesus a salvação é para todos 

Jesus olha a realidade do povo de sua época e sente compaixão, por meio do amor rompe com a barreira dos preconceitos, acolhe a todos principalmente aqueles que estavam à margem da sociedade, e eram excluídos pelo sistema e pelas leis opressoras.  

A prática da acolhida que Jesus realizou provoca a conversão dos destinatários. Em diversas passagens do Novo Testamento constatamos esta afirmação. No encontro com Zaqueu, Jesus embora sendo acusado pelas pessoas que não tinham compreensão daquele ato, não se intimida, realiza a sua missão e olha para Zaqueu, suscita a sua transformação. Zaqueu por meio da acolhida de Jesus rompe com projetos relevantes e promove a justiça por meio de sua decisão de devolver o dinheiro que desviou das pessoas através da cobrança dos impostos. 

Jesus saiu ao encontro de pessoas em situações muito diferentes: homens e mulheres, pobres e ricos, judeus e estrangeiros, justos e pecadores… Convida a segui-lo. Hoje, continua convidando a encontrar n’Ele o amor do Pai. Por isso mesmo, o discípulo missionário há de ser um homem ou uma mulher que torna visível o amor misericordioso do Pai, especialmente para com os pobres e pecadores.  

A acolhida realizada por Jesus é o ato de ir ao encontro do próximo, o outro que se encontra em situação de pecado e de cegueira, pessoas que caminham com fardos pesados do sistema político, econômico e religioso da época. Jesus não se intimida diante dos obstáculos da missão, a coragem do anúncio permeou sua caminhada. 

Jesus estava entrando na cidade de Jericó que era considerada uma cidade importante por ser lugar de passagem das caravanas comerciais que atravessavam o deserto. Diante disso nesta cidade estava localizado um escritório para a cobrança de impostos, cujo responsável era Zaqueu. Os impostos cobrados em Jericó iam para as arcas romanas, devido ao fato da cidade se situar na Judéia, província administrada por Roma, diferente dos impostos que o publicano Mateus cobrava em Cafarnaum que eram direcionados para o Rei Herodes. 

De fato, Deus falou a humanidade pela boca de seu Filho Jesus, “a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo” (Hb 1,2). Jesus assumiu e realizou o desígnio que a Palavra de Deus contém. Suas ações são sinais da ação de Deus. “Ele mesmo é a “Palavra de Deus feita carne” e, por isso, ele tem palavra de vida eterna” para nos comunicar.  

Jesus ensina que por meio da acolhida fraterna do outro, existe a possibilidade da transformação de atitudes. Para isso é necessário a relação mútua, como aconteceu no episódio de Zaqueu, pois Jesus acolhe o publicano e ele permite ser acolhido. 

Jesus utiliza vários elementos da linguagem, transmite a mensagem através do olhar, do gesto de tocar, falar, andar e escutar. Jesus utiliza o método de ensinar por meio das parábolas, pois se insere na realidade do povo, e a partir daí desperta o interesse do povo. Esta atitude de integração supõe simplicidade e humildade. 

Jesus realiza seu ministério sob a ação do Espírito Santo, por meio de suas palavras ele anuncia a Boa Nova e denuncia tudo o que se opõe ao projeto de vida. Jesus ensina com autoridade, que é um serviço para os irmãos e irmãs. Jesus se faz entender pelos seus interlocutores, e através de sua acolhida reconstrói a história da humanidade.

Jesus Cristo é o Pastor bom da Igreja; por isso, a vida cristã é a experiência do encontro e seguimento de Jesus Cristo: olhar para ele, deixar-se conduzir por ele, obedecer-lhe, esperar nele a vida eterna de cada dia. Mas Cristo que ser também o Pastor bom de toda a comunidade humana, que ele quer encontrar, reunir e conduzir com seu amor. Sua missão de bom Pastor continua na Igreja até o fim dos tempos; por isso ela deve ter o olhar e a atitude pastoral de Cristo diante de todas as situações vividas pela comunidade humana, especialmente diante das necessidades, sofrimento e angustias das “ovelhas” do rebanho do Senhor.  

O acolhimento é um ato de abertura para o outro, rompe o egoísmo, liberta o ser humano do individualismo e oferece a oportunidade de relação, de amizade, de anúncio do Evangelho. O processo exige transformação, que por vezes é doloroso. Assim temos o paradigma das atitudes de Jesus Cristo: como seu ato de acolher o próximo incomodou as pessoas de sua época, pois era inconcebível na mentalidade daquelas pessoas o que Jesus realizava, as pessoas se escandalizavam, algumas entendiam a mudança e se libertavam, outras, porém permaneceram em suas cegueiras.  

O fato de Jesus querer se hospedar na casa de Zaqueu provoca comentários na multidão, que não compreende, pois Zaqueu era tido como pecador. Jesus ensina que a salvação é para todos independente da classe social a que se pertencia. O que importava para Jesus era o ser humano e sua abertura ao amor de Deus. 

Em um mundo fragmentado, dividido, excludente e não solidário, marcado pelo individualismo exacerbado, é necessária  uma espiritualidade de comunhão que nos conduza a viver e a dar testemunho autêntico de fraternidade e solidariedade; que nos capacite a rejeitar com decisão “as tentações egoístas que sempre nos insidiam e geram competição, arrivismo, suspeitas, ciúmes”, e que nos faça  assumir com coragem e fortaleza nossa responsabilidade comum na tarefa de “fazer da Igreja a casa e a escola de comunhão”. 

Diante da novidade da acolhida que Jesus realizou seus discípulos por vezes não compreenderam. Porém Jesus não desanima na missão, pois é solidário com seu povo, entende que a conversão é um processo, exige paciência e determinação. 

É necessário, portanto que a ação pastoral seja exercida em consonância com a prática de Jesus, e a acolhida seja realizada como inserção do outro no projeto de Deus. 

Jesus acolhe os que não eram acolhidos 

Jesus por meio do acolhimento apresentou à humanidade o comportamento de Deus diante do homem. A partir da linguagem de Jesus, Deus se revela o Pai que acolhe, ama e tem compaixão pelo seu povo. 

Diante da exigência da lei, muitas pessoas eram excluídas do convívio social. Jesus acolhe exatamente estas pessoas, que ao se sentirem acolhidas e amadas, se transformam e se libertam da opressão do pecado. Diante de preceitos religiosos e culturais, havia pessoas que eram excluídas pelo motivo de pertencer ao povo da Samaria: as mulheres, as crianças, o povo da terra entre outros. Nestas situações, a prática da acolhida de Jesus rompe com o sistema de opressão, suscita dúvidas e espanto naqueles que excluem. 

Jesus também disse palavras duras quando se encontrou com justos presos a sua justiça, mas sempre para lhes oferecer a possibilidade de transformar sua justiça num dom e não mais num ressarcimento, “sua obediência em alegria e não mais num dever árduo, e sua fadiga em solidariedade e não mais numa razão de distinção”. 

A ação de Jesus, suas palavras e atitudes foram escola de vida dos seus discípulos e discípulas, principalmente dos doze que conviveram diretamente com o mestre. Os próprios seguidores de Jesus, diversas vezes não compreenderam a acolhida que Jesus realizava, alguns tinham a concepção do paradigma vigente na época em torno da expectativa da vinda do Messias.      

A atitude acolhedora de Jesus causa espanto no próprio excluído, como a samaritana que Jesus encontra no poço de Sicar. Jesus teria muitos motivos de se afastar daquela mulher, seja pelo fato dela ser da Samaria, pois os judeus não conviviam pacificamente com os samaritanos, seja pelo fato de coabitar com um homem que não era seu marido ou simplesmente ser mulher, pois na sociedade da época não convinha a um mestre conversar com uma mulher. O espanto da mulher é por se sentir acolhida; naquele encontro ela encontrou o próprio amor de Deus. A emoção é tão grande que ela esquece até mesmo o cântaro com que iria retirar a água do poço. 

Jesus acolhe os imorais

Na sociedade da época havia mulheres que eram duplamente excluídas, primeiro pelo fato de ser mulher e segundo pela situação de prostituição. Jesus foi convidado para comer na casa de um fariseu, uma mulher que era conhecida como pecadora também entra na casa, senta-se aos pés de Jesus, cobre-os de perfume e derrama lágrimas comovidas. 

O fariseu olha a mulher com o olhar de discriminação, observa aquele gesto com juízo preconcebido. O fariseu estava cego, inserido em um sistema excludente, não vê o que Jesus enxerga. Jesus sabe que aquela mulher era pecadora, mas entende que o fato de saber não o impede de compreender, que aquele gesto realizado pela mulher expressa o amor. Livre de preconceitos, Jesus pode acolher o gesto na sua singularidade e, por isso, a mulher na sua autenticidade, não só capaz de muitos pecados, mas também de muito amor. 

O olhar do fariseu não é de acolhimento, não liberta a mulher do pecado, ao contrário a escraviza em seu passado, porém o olhar de Jesus desperta naquela mulher a possibilidade de libertação, de iniciar uma vida nova. 

Os fariseus e escribas também levaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério. Jesus observa aquela atitude; a mulher, porém não fala não se defende e nem solicita o perdão; os escribas falam por ela, com palavras de acusação. Jesus surpreende a todos que acusavam a mulher ao dizer que quem naquele momento não tivesse pecado poderia atirar a primeira pedra. Os presentes foram se dispersando, restando somente a mulher e Jesus.  Jesus suscita a reflexão na vida daquela mulher, acolhe e diferente dos escribas e fariseus, sabe que o perdão é possível para ela, assim como para os outros. 

Jesus foi convidado a realizar a refeição em casa de Levi que era publicano. Os fariseus e os escribas murmuravam, pois para eles era inconcebível Jesus se alimentar com os publicanos e pecadores. Jesus afirma que sua missão consiste em chamar os pecadores, e afirma que são os doentes que necessitam de médico.

Jesus afirma que as prostitutas e os publicanos vão preceder os anciãos e os sacerdotes de sua época. Eles questionam Jesus, queriam saber com que autoridade Jesus realizava suas obras. Jesus conta uma parábola e afirma que João Batista veio preparar o povo no caminho da justiça e conversão e eles não creram nele, porém os publicanos e as prostitutas acolheram o projeto de Deus, se abriram a graça da conversão. 

O que Jesus condena nos fariseus é a confiança em si mesmo, o considerar-se santo para Deus pelas próprias forças, mas sem uma pitada de misericórdia para com seus irmãos a quem desprezam. 

Jesus foi a misericórdia e a compaixão em pessoa; foi uma transparência divina, o rosto misericordioso do Pai. Ele é o Bom Pastor que busca a ovelha perdida e não descansa até encontrá-la. E, ao encontrá-la, enche-se de felicidade. Nele, a ovelha ferida, cansada e oprimida pode encontrar segurança e descanso, como ele mesmo prometeu: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso”.   

Os pagãos e samaritanos são acolhidos por Jesus 

Jesus entrava na cidade de Cafarnaum que significa vila da abundância, campo de consolação. Ela representa a Igreja que se havia de formar dos gentios, a qual está plena de abundância espiritual, conforme aquelas palavras do Salmo 52: “Fique minha alma bem cheia de ti como de um manjar abundante e suculento”. E entre as aflições do mundo, consola-se com os bens do Céu, segundo as palavras do salmo 93: “Quando se multiplicam as angústias no meu coração, as tuas consolações deleitam a minha alma”. 

Jesus vai ao encontro da casa do centurião que era pagão, não tinha ouvido a pregação de Jesus Cristo e nem visto a cura do leproso, mas, tendo sabido dela, acreditou mais do que aqueles que presenciaram então a figura que representa a futura conversão dos gentios, aquele que não conhecia a Lei e nem os profetas, nem mesmo havia visto os milagres. 

O centurião não se sente digno de acolher Jesus em sua casa, mas envia seus amigos ao encontro de Jesus e suplica a cura de seu servo. Demonstra a preocupação e o cuidado que tinha em relação ao empregado doente. O centurião acreditou em Jesus ao afirmar que bastava uma palavra proferida por ele para que o doente fosse curado. Jesus admira a fé daquele homem. 

Assim como admiramos a fé do Centurião, porque acreditou que o servo poderia ser curado pelo Senhor, também admiramos sua humildade enquanto se considera indigno de que o Senhor entre em sua casa, como está dito: “Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa”. Considerando-se como indigno, apareceu como digno, não de que entrasse o Senhor em sua casa, mas em seu coração. E não teria dito isto com tanta fé e humildade se não tivesse já em seu coração Aquele de quem temia que entrasse em sua casa, pois não constituiria uma grande felicidade se Nosso Senhor Jesus Cristo entrasse em sua casa e não em seu peito.

Os samaritanos eram provenientes da Samaria, que era uma província situada entre a Galileia e ao norte e a Judéia ao sul.  Os judeus consideram aquele povo impuro, pois entre eles se originou um ódio mútuo, devido no ano 107 A.C, o judeu João Hircano se apoderou de Siquém, capital da Samaria, e destrói o templo do Garizim. Herodes o Grande o restaura no ano 30 A.C e se casa com uma samaritana. No ano 06 da era cristã, os samaritanos profanaram o templo de Jerusalém, depositando nele, de noite, ossos humanos, exatamente no dia da Páscoa. Para os judeus, o fato de pisar num túmulo, já tornava a pessoa impura, a partir daí se criou uma hostilidade implacável. Assim era inconcebível para os judeus o fato de Jesus acolher os samaritanos.  

Os judeus sabiam que têm que amar o próximo, todavia não consideravam o samaritano seu próximo. 

Jesus suscita a reflexão, quando fala da parábola do samaritano. O personagem é um homem sem identificação, anônimo, sem indicação de pátria, caído na estrada, e um samaritano. Jesus ensina quem é o próximo, a relação com o próximo. O termo grego (plesíon) corresponde a um hebraico, que significa vizinho, ou amigo, é conceito de relação recíproca, que inclui dois correlativos, um considera e trata o outro como próximo, amigo.  

Por meio desta parábola do bom samaritano, Jesus provoca a reflexão sobre acolher o próximo e aborda intrinsecamente a tensão que existia na época, entre o culto e a ajuda ao próximo.  

Na perícope do encontro com a Samaritana, Jesus por meio da acolhida, rompe com o legalismo da época. Jesus ao pedir água aquela mulher, suscita a solidariedade, pois estava cansado da caminhada. A água é assim elemento escasso, precioso, sinal de acolhida e hospitalidade. Jesus voltará a ter sede na cruz, mas ali os seus, pela última vez, lhe negarão acolhida. 

A acolhida e o diálogo de Jesus suscitam na mulher samaritana, a alegria e o ímpeto de anunciar Jesus, assim abandona o cântaro que era sua conexão com o poço. A palavra que designa cântaro é a mesma usada no episódio de Caná para designar as talhas. Como lá representavam a Lei, também o cântaro é a imagem da Lei que a mulher toma do poço para buscar a vida nela. Esta água não lhe matava a sede. 

Jesus em primeiro lugar ofereceu a água viva; somente depois de ter despertado o anseio é que denunciou suas maldades a Samaria. Primeiro expõe a qualidade do seu dom, e em seguida aponta os obstáculos para recebê-lo. Começa com o positivo, sua denúncia não deixa ninguém desamparado. Não pede ruptura que lance no vazio, mas abre uma porta convidando a passar da morte para a vida. 

Jesus acolhe e cura os leprosos e possessos 

Na sociedade da época de Jesus, quem apresentasse sinais de lepra devia se apresentar ao sacerdote. Ao comprovar a lepra a pessoa era excluída da sociedade e da comunidade, pois não podia participar do culto e devia repetir continuamente que era impuro. 

Jesus ao entrar em um povoado entre a Samaria e a Galileia, se deparou com dez pessoas leprosas que suplicam a sua misericórdia, Jesus ordena-lhes que vão se apresentar ao sacerdote. E enquanto caminhavam eles ficaram curados. Porém, somente um deles retorna para agradecer a Jesus.  Retornou somente um samaritano, Jesus ao acolher os leprosos os cura do mal físico da lepra, porém sua acolhida penetra na alma do samaritano ao qual Jesus não somente cura o corpo, mas provoca a conversão de sua vida. 

O gesto de acolhida que Jesus realizou foi direcionado para os dez leprosos, porém somente um retornou para agradecer e reconhecer o gesto de Jesus. Assim o acolhimento necessita abertura recíproca.

Além disso, aqui Jesus, como em outras circunstâncias, pronuncia a expressão: “A tua fé te salvou”. É a fé que salva o homem, restabelecendo-o na sua relação profunda com Deus, consigo mesmo e com os outros; e a fé se exprime no reconhecimento, na gratidão. 

No cumprimento das leis e prescrições mosaicas, os leprosos que encontram Jesus e param à distância, sentem-se impuros, fora da convivência humana; quem os toca também ficará impuro. O Senhor cura-os e manifesta-lhes a sua vontade salvífica com as palavras e com dois sinais muito consistentes: estende as mãos e toca-os. Cristo não aceita somente aproximar-se dos leprosos, mas estende a sua mão, recebe-os e toca-os. Jesus identifica-se com o leproso, torna-se completamente solidário com eles. Destrói a impureza e a marginalização deles, manifesta a sua plena solidariedade com eles. 

Jesus acolhe os que não eram acolhidos em diferentes situações. Ele orientava que as pessoas curadas para não divulgarem o ocorrido.

Hoje poderíamos traduzir esta lepra por outros males que afastam a nossa vida de seu real sentido. O homem jamais será feliz vivendo no individualismo. Somos criados para a vida comunitária e solidária. Há muitos leprosos em todas as camadas sociais que vivem na competição do materialismo.  

Jesus em seu ministério acolheu com solicitude as pessoas que estavam possessas pelo inimigo. Em Cafarnaum ele pregava em um dia de sábado na sinagoga e as pessoas estavam admiradas com seu ensinamento, porém um homem estava com espírito impuro, preso nas angústias, separado da comunidade. Jesus com autoridade ordena e o homem é libertado. 

A acolhida liberta e rompe as barreiras do individualismo, instaura vida, insere a pessoa na dinâmica da comunidade.

Jesus acolhe os pobres e o povo da terra

A acolhida que Jesus mostra para com os pobres e excluídos não é vinculada a ideologias ou a uma análise sociológica, mas no profundo amor de Deus que acolhe a todos sem distinção e que por meio da acolhida proporciona a possibilidade de conversão e promoção humana. Deus é pelo pobre e excluído, para defendê-los. 

O pobre é aquele que está à margem da sociedade, excluído do convívio da comunidade, faminto de justiça e esperança. Jesus ao realizar o encontro com os pobres suscita a esperança da libertação do sistema opressor vigente. 

Para o povo pobre e trabalhador era difícil ou praticamente impossível seguir as leis da pureza exigida, assim os pobres eram excluídos como gente ignorante e maldita. 

A própria vida de Jesus foi itinerante e pobre, ele conhece as dificuldades do pobre. Ao acolhê-lo assume suas angústias, compartilha as incertezas do caminho. 

No antigo Israel o clã era a grande família, a comunidade reunida, que era a base da convivência social. No clã as pessoas se sentiam protegidas e seguras, e tinham a garantia da posse da terra, a tradição preservada e a defesa da identidade. O povo encarnava o amor a Deus e ao próximo. No clã prevalecia a lei do Goêl, ou seja, no caso de alguém da família correr o perigo de perder sua terra ou ser escravizado o parente mais próximo ou o irmão mais velho, chamado Goêl, procurava impedir a desintegração do clã. 

No tempo de Jesus, com a política instaurada pelo governo de Herodes Antipas, o clã não realizava mais o seu objetivo. Devido a vários fatores entre eles, a obrigação de pagar impostos, tributos, dízimos, tanto ao governo como ao templo, o aumento do desemprego e o empobrecido assustador e o com medo da impossibilidade de sanar as dívidas, suscita assim a mentalidade individualista que provém da cultura helenista, todos estes fatores contribuíam para as famílias se fecharem dentro de si mesmas para suprir suas necessidades. 

Com a desintegração do clã, em caso de doenças, pragas entre outros, as famílias ficavam desprotegidas, sem o goêl. A família deixa de ser um local de acolhimento e partilha, pois a segurança dos pobres era o clã, a comunidade, que diante deste sistema não mais existia. 

Esta situação transparece nas parábolas de Jesus, quando ele fala sobre o patrão que reside longe e deixa os bens com o caseiro, quando o dono da terra se apropria dos bens de seus empregados e exige deles mais do que podem, gera o clima de violência entre os empregados. Jesus reflete sobre a violência das estradas pelo motivo dos assaltos, riqueza que ofende os pobres.

O discípulo de Jesus Cristo, portanto se define como um ser que ama. O Evangelho reflete esta intrínseca relação entre Jesus e os pobres, como se observa na passagem sobre o juízo final a sentença no último dia será servir ou negar-se a servir a Cristo e aos pequenos, aos mais pobres, e a atitude de servir ao irmão se realiza no mundo, com base nas quais a humanidade no fim de sua peregrinação será julgada pelo amor que dedicou ao outro. A razão suprema da ação é a relação que Jesus faz de sua pessoa com o fraco e o pobre, é necessário servir Jesus nos irmãos, e é necessário resgatar a prática de Jesus. Neste sentido se amplia o sentido do acolhimento, para acolher e servir aos irmãos, principalmente os excluídos.  

A preferência de Jesus pelos pobres foi uma escolha teológica, assim uma comunidade que não exercer a mesma escolha de Jesus será uma comunidade cristã que, antes de revelar a face evangélica de Deus, a esconde. Pecado teológico, não simplesmente incoerência moral. 

Na sociedade atual, o discípulo missionário é convocado a contemplar o rosto de Jesus, no semblante de sofrimento de nossos irmãos.  Jesus viveu uma vida pobre, junto com os pobres de sua época. Jesus acolheu e proporcionou o resgate da dignidade humana. 

Os cristãos diante da realidade da metrópole 

A cidade apresenta diversas realidades e desafios para o relacionamento fraterno do ser humano. Desde sua origem a cidade está relacionada com o comércio, “simboliza a grande obra do ser humano, revelando sua verdadeira natureza social”. 

Na cidade se encontram e se distanciam os diversos rostos da sociedade. A multidão é dinâmica, heterogênea, pobres e ricos se encontram se olham e não se veem, diante da dinâmica do sistema econômico. O capitalismo divide as camadas sociais, o ser humano se divide. 

Na cidade se concentram os grandes centros financeiros, ela atrai pela ilusão da possibilidade de conquista financeira e ascensão social. Na incerteza de concretizar seus sonhos, pessoas oriundas de vários estados se aglomeram na cidade. Na cidade tudo parece possível. 

Na cidade devido à pluralidade de experiências e de expressões culturais, se multiplicam as possibilidades de escolha do indivíduo, construindo a seu gosto sua própria identidade. “A aceleração de mudanças contribui também para deixar as pessoas estressadas e desnorteadas”. 

Na cidade a violência é explorada pelos meios de comunicação. O sensacionalismo diante dos fatos diários propaga a onda do medo e insegurança. A violência silenciosa nem sempre aparece na mídia, violência da opressão pelo sistema que exclui, do preconceito camuflado, anciãos e menores abandonados, entre outros. 

Na cidade, ricos e pobres, ora residem próximos, contrastando os luxuosos condomínios com as favelas, ora se distanciam em bairros privativos. A cidade oferece a liberdade e o anonimato. 

O documento de Aparecida afirma que nas cidades convivem diferentes categorias sociais, tais como as elites econômicas, sociais e políticas, a classe média com seus diferentes níveis, e a grande multidão dos pobres. Nela coexistem binômios que a desafiam cotidianamente: tradição- modernidade; globalidade- particularidade; inclusão- exclusão; personalização- despersonalização; linguagem secular-linguagem religiosa; homogeneidade – pluralidade; cultura urbana-pluriculturalismo.  

O subjetivismo é constante, cada pessoa com sua verdade. As relações pessoais se contradizem na realidade da cidade, por vezes as pessoas são anônimas na multidão, se isolam, por vezes são solitárias diante da multidão, anseiam estabelecer vínculos, daí surgem às diferentes comunidades e centros urbanos. 

A realidade da cidade dificulta a prática da acolhida mutua entre as pessoas. Por vezes a acolhida é reduzida como estratégia nas empresas, visando agregar mais clientes e aumentar os lucros financeiros. 

“A cidade moderna policêntrica reage negativamente aos centralismos religiosos”. Cada cristão se considera um centro irradiador de fé dentro de determinada autonomia. É a perda das referências eclesiais, crise diante do pensamento relativista pós-moderno. 

No âmbito religioso é presente a oferta de inúmeras denominações religiosas, células que se multiplicam rapidamente. Oferecem inúmeras soluções para os problemas atuais, como a depressão, crise financeira, desemprego, dividas, entre outros. São utilizados vários elementos para agregar os fiéis, entre eles à acolhida. 

As experiências religiosas de comunidades e movimentos religiosos se multiplicam, “unidos ao redor de uma causa, de um carisma, de um líder, sobretudo de uma acolhida recíproca, cheia de calor humano, que atrai e une os grupos”.  

A Igreja está situada nesta realidade da cidade. Antes, no ambiente rural a paróquia estava localizada no centro, participava ativamente da vida do povo, favorecia o clericalismo, a presença do padre e do bispo era de suma importância.  A realidade urbana insere a paróquia na dinâmica da cidade, onde ela é considerada mais um centro dentro dos diversos centros. A figura do padre e do bispo, por vezes se passa despercebida no meio da multidão. Diante do subjetivismo, a fé tende-se a individualizar-se de tal maneira que cada pessoa se torna sua instância válida de fé. 

Neste sentido a proposta de Aparecida é transformar as paróquias em “comunidades de comunidades”, com a proposta da Igreja próxima, “Igreja da casa”, das primeiras comunidades cristãs, devidamente relida nas circunstancias atuais, tem a chance de dar um validíssimo elemento estruturante a paróquia e um impulso inigualável a sua renovação pastoral e transformação missionária. 

A ação pastoral por vezes reflete o dinamismo da realidade da cidade. O ativismo, a preocupação com o tempo cronológico, a competição, entre outros, interferem na plena realização dos trabalhos pastorais. Diante desta realidade os membros das pastorais sentem-se fadigados, muitos reclamam do acumulo de atividades. A acolhida é realizada limitando-se a pratica da distribuição de folhetos de missas e lembretes. A violência na cidade conduz ao medo de se aproximar do outro. 

A partir da reflexão do documento de Aparecida, é sugerido que dinamize a pastoral da acolhida aos que chegam à cidade e habitam nela, passando de um passivo esperar a um ativo buscar e chegar aos que estão longe, com novas estratégias tais como visitas ás casas, uso dos novos meios de comunicação social e constante proximidade ao que constitui para cada pessoa e sua cotidianidade. 

Diante da realidade das megalópoles, se encontra o ser humano, frágil, sedento do encontro com o outro. Assim surgem as associações, grupos, torcidas organizadas, entre outros, com diferentes denominações e objetivos, que proporcionam o encontro e relação com o outro. “Para manter vivos seus sonhos e viabilizar seus projetos, a população urbana percebe que organizar-se em associações é condição de sobrevivência de um grupo e de sua ação”.

“A cidade assim tem uma lógica própria, e a Igreja inserida nesta realidade necessita de encontrar seus interlocutores, seus espaços e momentos adequados”, para evangelizar, acolher o próximo tendo como paradigma os gestos de Jesus Cristo, que acolheu a todos. 

O tratamento que a pessoa recebe da comunidade eclesial, deveria mostrar algo do amor de Deus para cada um de seus filhos. Daí, por exemplo, a importância da acolhida, que de fato está se tornando uma preocupação efetiva e positiva em muitas comunidades.

No encontro com Zaqueu, Jesus atravessava a cidade de Jericó. Zaqueu morava na cidade, que tem uma história longuíssima que cobre milhares de anos, a primeira cidade foi construída já em 8.000 A.C., embora haja indícios de assentamento humano há quase dois mil anos antes disso, o que torna Jericó a cidade continuamente habitada mais antiga do mundo. 

Jesus diante da multidão se dirige a Zaqueu e dirige para ele o olhar impregnado de amor e inicia o diálogo, sem preconceitos, revela o amor do Pai, por meio da acolhida, promove a conversão na vida de Zaqueu. A acolhida é um gesto de amor, e para ser realizado plenamente, necessita da pessoa que acolhe um encontro íntimo com Deus, um encontro que se realiza em comunhão, então aprende a ver o outro já não somente com meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo. 

“Enxergar com o olhar de Cristo é oferecer ao outro muito mais que as coisas externamente necessárias, posso dar-lhe o olhar de amor que ele precisa”.

Na atualidade os cristãos enfrentam o desafio de acolher o próximo na cidade. A prática de Jesus nos mostra sua preocupação de anunciar o Reino de Deus as pessoas e não apenas as multidões. Recorde-se aqui a atenção à samaritana, a Zaqueu e Nicodemos, entre outras pessoas. Para elas anunciou particularmente a Palavra de vida.  

“Esta atitude de Jesus nos impele a anunciar pessoalmente a Palavra de Deus ao doente, ao encarcerado, ao sofredor, ao jovem, ao homem, à mulher, à criança”. 

Portanto mesmo diante das dificuldades pertinentes, avançam na Igreja diversos projetos de evangelização e acolhida, no âmbito social se multiplicam as instituições que acolhem desde as crianças até os idosos e diversas pastorais realizam trabalhos que visam a inclusão do próximo principalmente os pobres e excluídos. Porém é necessário resgatar a missão, pois mesmo diante dos esforços, por diversos fatores muitas pessoas ainda não são acolhidas adequadamente nas paróquias.

A acolhida diante das novas tecnologias               

As novas tecnologias trazem consigo nova metodologia em acolher o próximo. Atualmente o encontro pessoal está sendo substituído pela comunicação virtual. Em frações de segundos é realizado o contato com pessoas oriundas de diversos lugares, até mesmo dos lugares mais longínquos. 

A cultura virtual ameaça por entre parênteses as presenças vivas e comunitárias. Da solidão do eu, a pessoa roda seu giroscópio em todas as direções, captando as mais diversas mensagens, criando infinitas relações. Muitas têm a consistência da bolha de sabão. 

No universo das novas tecnologias se estabelece encontro com o outro utilizando os diferentes sinais, se acolhe pelas mensagens enviadas seja por meio dos telefones celulares, via e-mail, entre outros recursos. Várias comunidades surgem no espaço virtual, por meio da presença do ser humano solitário em frente da máquina, por vezes ocultando a própria realidade de sua identidade, ou em busca de estabelecer relações seguras, diante da insegurança e violência da cidade.  

A falta de tempo para o encontro pessoal com o outro é substituída pelos encontros virtuais. Não resta dúvida que o avanço tecnológico tenha um grande valor no mundo funcional, e se bem utilizado é uma importante ferramenta de comunicação, “porém a presença comunitária física nunca poderá ser substituída. ”  

A Igreja encontra nas novas tecnologias importante ferramenta de evangelização. Por meio das ondas da rádio, televisão e internet são transmitidas missas, novenas, e outros programas. Em janeiro de 2009, o Vaticano anunciava “posts” do Papa Bento XVI, disponível em quatro idiomas.  A Igreja se posiciona na inclusão digital para a veiculação de sua mensagem. 

Na visão de Dom Orani João Tempesta, a Igreja sempre esteve atenta a comunicação em massa, pois ela tem a necessidade de anunciar o Evangelho. 

Jesus também utilizou os recursos de comunicação de sua época, utilizava uma linguagem simples, ensinava por meio de parábolas para ser compreendido, pois a parábola é uma imagem que se fixa na mente dos que ouvem, dos que hoje nós chamamos de receptores. No encontro com Zaqueu utilizou vários sinais da linguagem para a comunicação, sendo o olhar o primeiro elemento neste encontro específico. Jesus utilizava palavras que as pessoas daquela época conheciam bem, sendo que o público alvo era constituído de agricultores, pescadores, comerciantes, cobradores de impostos, prostitutas, sacerdotes, soldados romanos, entre outros. 

O apóstolo Paulo, utilizou o método de comunicação por meio das cartas, para manter contato com as comunidades e acompanhar a ação pastoral. 

Na atualidade se acolhe o próximo também utilizando os recursos das novas tecnologias. Orientado pelo sentido ético, o ser humano tem oportunidade de estabelecer vínculos de amizade com o próximo através do universo midiático. Porém o encontro pessoal jamais poderá ser substituído, as novas tecnologias são ferramentas importantes na comunicação, colocadas a serviço da humanidade. 

Assim com as novas tecnologias surge mais uma classe de excluídos da sociedade, aqueles que não têm acesso ao universo midiático, os analfabetos tecnológicos como cita o documento de Aparecida.  Portanto é necessário mesmo diante do avanço tecnológico, privilegiar o encontro pessoal com o outro, é no convívio que o ser humano aprende a se relacionar consigo mesmo, com as demais pessoas, grupos e sociedade. 

Sempre que abrimos ao outro, abrimo-nos ao diferente, a diversidade, a alteridade. A pessoa humana é o principal meio de comunicação, é um ser em relação que acolhe com sua atitude, olhar, sorriso, simpatia, carinho e serviço. 

Zaqueu ao subir na árvore, utilizou um método de comunicação, olhar com atenção e curiosidade para Jesus. O encontro dos olhares o desperta para o diálogo que Jesus instaura, promovendo a acolhida recíproca, que transforma a vida de Zaqueu que era excluído da sociedade.  

É preciso ir ao encontro das pessoas, principalmente acolher aquelas que experimentam algum tipo de exclusão, pois a busca e o acolhimento do outro é sinal do Reino de Deus.   

A acolhida, este “ir ao encontro de”, para oferecer os dons de Jesus, só será possível na medida em que os cristãos, em especial os agentes de pastoral, permitirem se evangelizar. Esta é a atitude fundamental do cristão. Assim Zaqueu se abriu as palavras de Jesus em sua vida. Esta atitude do discípulo de Jesus deve ser alimentada, de um lado, pela escuta constante e fiel da palavra de Deus, acolhida com fé e, de outro, por uma atenção permanente e profunda ás necessidades que se manifestam nos acontecimentos da vida das pessoas na cidade. 

Assim pela conversão pessoal, a acolhida por meio das novas tecnologias será realizada com ética e responsabilidade. A ética é um conjunto de princípios e disposições que existe como uma referência para os seres humanos em sociedade, de modo tal que a sociedade possa se tornar cada vez mais humana. 

Porém, quando falta a conversão pessoal, as condições de disponibilidade interior e o desapego, quando outros interesses de poder, dinheiro ou prestígio continuam prevalecendo, o encontro e a acolhida não resultam em conversão. Foi o que aconteceu no caso do jovem rico, a quem o apego à riqueza impediu de seguir o Mestre. O inverso aconteceu com Zaqueu, que também era rico, mas se converteu, devolveu o quádruplo de tudo o que havia adquirido ilicitamente e do que lhe sobrou deu metade aos pobres. 

As diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil afirmam que a Igreja deve valorizar os meios de comunicação, tornando-os instrumentos do trabalho da evangelização, utilizando-os de modo criativo e responsável.    

A atitude de amizade e de acolhimento acentua a valorização da pessoa, num mundo onde a técnica e o progresso, nem sempre deixam espaço para a comunicação pessoal.       

Comunidade, casa e escola de comunhão

Inúmeras pessoas vão ao encontro das paróquias, por diversos motivos. Por vezes este encontro é realizado de maneira solícita e fraterna, que desperta o desejo de regressar ao ambiente na qual foi um dia acolhida, o que suscita a participação na comunidade cristã.  

Porém alguns encontros nem sempre refletem uma acolhida calorosa. Devido a vários fatores, entre eles a influência dos valores da sociedade hodierna, como o individualismo, o ativismo, e outras implicações, por vezes não acolhemos com solicitude aquele que se aproxima da comunidade, suscitando constrangimentos, que são propagados para outras pessoas, gerando o afastamento e a descrédito de pertença a Igreja. 

O conceito “casa” remete ao aconchego, segurança e liberdade. Daí a importância de acolher bem as pessoas. A proposta do documento de Aparecida é que nossas comunidades sejam espaços de casa e escolas de comunhão fraterna, como já afirmava o (saudoso) Papa João Paulo II.  Que os cristãos sejam testemunhos pela sua atitude de vida, quando acolhem uns aos outros, principalmente os excluídos de nossa sociedade. 

A expressão de testemunho é a comunhão eclesial, condição para que o mundo creia. Antes de planejar iniciativas concretas, é necessário promover uma espiritualidade de comunhão, (…) significa a capacidade de sentir o irmão de fé como um que faz parte de mim (…) é ainda a capacidade de ver, acima de tudo, o que há de positivo no outro. (…) por fim, espiritualidade da comunhão é saber “criar espaço” para o irmão (…) rejeitando as tentações egoístas que sempre nos insidiam e geram competição, arrivismo, suspeita e ciúmes. 

A prática de Jesus é paradigma para suscitar na pessoa o testemunho autêntico de vida. Várias passagens evangélicas situam Jesus no espaço físico da casa. Jesus afirma para Zaqueu que iria se hospedar em sua casa e após ser acolhido, proclama que a salvação chegou a casa tinha chegado a casa de Zaqueu, pois ele era filho de Abraão. 

Na casa, Jesus realiza a refeição e diversas vezes na casa de pessoas excluídas da sociedade, pecadores da época. Jesus resgata o conceito da casa, local de acolhida e união. Na atualidade a Igreja, por meio de seus documentos reflete sobre a importância da paróquia ser local privilegiado de acolhida fraterna, onde todos se sintam em casa, onde se partilhe as atividades pastorais, visando a construção de um mundo justo e fraterno. Local onde se participa dos sacramentos, se celebra a liturgia, participando da mesa refeição, alimentando-se do centro de nossa fé, a Eucaristia. 

Por vezes, é necessário transformar o conceito “casa”, para a realidade presente. Foi assim na experiência de cárcere do Bispo Francisco Xavier Nguyen Van Thuan. Ele transformou a sua cela em espaço privilegiado de evangelização, mesmo diante dos limites físicos, materiais e psicológicos. 

Van Thuan viveu por treze anos como prisioneiro, e em um dos seus relatos, ele citou que os guardas que vigiavam sua cela, não falavam com ele. Por meio da acolhida fraterna, Van Thuan conquista a amizade dos guardas e transforma a realidade da cela em espaço fraterno, e posteriormente estes guardas, mesmo na cadeia, tornaram-se alunos de Van Thuan.

Ele utilizou do recurso da linguagem para promover a amizade com os guardas. A princípio houve a resistência, e os guardas não respondiam, porém Van Thuan utilizou a estratégia de falar sobre as últimas notícias mundiais e suscitar o interesse deles, e assim àqueles homens foram cedendo, diante das palavras amigas de Van Thuan.

Ele relatou que a “atmosfera da prisão” mudou muito, até os policiais perceberam o gesto de sinceridade e acolhida de Van Thuan. E mesmo na cadeia, os gestos de amor e acolhida transformaram a vida daqueles guardas, que posteriormente até cantavam os refrãos de melodias que Van Thuan recitava na cela. 

Van Thuan recorda que dirigiu o olhar para aqueles homens rudes, distantes, medrosos e valentes, aqui podemos comparar o mesmo olhar que Jesus dirige a Zaqueu, quando o observou em cima da árvore.

Van Thuan realizou os gestos que Jesus utilizou com o próximo. Transformou pelo amor e acolhida um ambiente hostil, em espaço de convivência humana, resgatou naqueles homens a sua humanidade. A “casa” de Van Thuan naquele momento era a realidade de uma cela, mas a partir da fé ele não desanima, resgata o conceito “casa”, mesmo diante dos desafios.

Van Thuan celebrava a Eucaristia diariamente mesmo as escondidas, rezava, cantava os salmos, ensinava. Na dificuldade não desanimou, transformou a sua realidade, fez da cela, uma casa de irmãos. 

Assim no conceito “casa”, o documento de Aparecida reforça, que um dos maiores desejos que se têm expressado nas Igrejas da América Latina e do Caribe, motivando a preparação da V Conferência Geral, é o de uma valente ação renovadora das paróquias, a fim de que sejam de verdade “espaços da iniciação cristã, da educação e celebração da fé, abertas a diversidade de carismas, serviços e ministérios”.      

O documento sugere que sejam renovadas as estruturas paroquiais, para que sejam uma rede comunidades, capazes de se articularem, para que seus membros se sintam discípulos missionários em comunhão. É necessário a paróquia anunciar o que Jesus Cristo, fez e ensinou. Suscitar nas pessoas o ímpeto missionário, de anunciar a palavra de Deus, ir ao encontro e acolher o próximo. 

Promover por meio da acolhida fraterna, a inserção das pessoas na comunidade. Por vezes se o relacionamento “interior na casa”, não reflete a prática de Jesus Cristo, as interferências da sociedade hodierna, dificultam a acolhida plena. Assim a conversão pastoral é necessária para romper com as divergências, “a conversão exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação, para uma pastoral decididamente missionária e servidora”.  

É necessária esta conversão, pois a nossa maior ameaça é o “medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez”. 

O método da ação eclesial, é encontrar as pessoas, ajudá-las a encontrar Jesus Cristo e, por meio dele, achar o caminho, a verdade e a vida.  Assim a paróquia será a casa acolhedora, onde celebramos a vida, e o encontro fraterno de irmãos. 

O que nossa regra da Ordem Terceira do Carmo nos diz?

42.

Os leigos carmelitas, sustentados pela graça e guiados pelo Espírito, que os encoraja a viver com firmeza a vida cristã, seguindo as longas veredas do Carmelo, reconhecem-se como irmãos e irmãs de quem quer que seja chamado a compartilhar o mesmo carisma. “O leigo carmelita pode formar comunidade de diversos modos: na própria família, que é a Igreja doméstica; na paróquia, onde é chamado a adorar Deus junto com os irmãos e a participar da vida comunitária; na própria comunidade terciária carmelita, na qual encontra sustento para a caminhada espiritual; no ambiente de trabalho e no próprio meio onde vive”[71].

43.

A vida associativa dos leigos carmelitas deve destacar-se pela simplicidade e autenticidade; cada comunidade deve ser um lar de fraternidade, onde cada um se sente em sua própria casa, acolhido, conhecido, valorizado, encorajado na caminhada, e quando necessário, corrigido com atenção e caridade. Os leigos carmelitas empenhem-se, portanto, em colaborar com os demais membros da Família Carmelita e com toda a Igreja, a fim de que esta realize a própria vocação missionária nas mais diversas situações e condições.

44.

A fraternidade se reflete também em sinais externos. Cada leigo carmelita é como uma centelha de amor fraterno lançada em direção ao jardim da vida: deve ser capaz de incendiar quem quer que se aproxime. A vida familiar, o ambiente de trabalho ou profissional, os meios eclesiais frequentados por leigos carmelitas, devem receber deles o calor que nasce de um coração contemplativo, capaz de reconhecer em cada um os traços da semelhança com o rosto de Deus. A comunidade de leigos carmelitas torna-se, deste modo, um centro de vida autenticamente humana, porque autenticamente cristã. Da experiência de se reconhecerem como irmãos e irmãs, nasce a exigência de envolver outros na fascinante aventura humano-divina da construção do Reino de Deus.

45.

Em um mundo cada vez menor, mais “vizinho‟, mais unido por vínculos diversos e complexos, os leigos carmelitas devem sempre testemunhar a sempre autêntica universalidade, sabendo valorizar as riquezas e as potencialidades de cada um, reconhecendo-se parte de uma família internacional e favorecendo todas as ocasiões possíveis de encontro e intercâmbio frutífero entre os membros da Ordem.

Perguntas para discussão e fixação do conteúdo:

– Nossa regra nos diz que nossos sodalícios devem ser um lar de fraternidade, onde cada um se sente em sua própria casa. Enxergamos nosso sodalício como extensão de nossa casa?

– Os irmãos de nosso sodalício são acolhidos, conhecidos, valorizados, encorajados e se necessário corrigidos com atenção e caridade?

– Permitimos que os irmãos desempenhem sua vocação na plenitude ou agimos com ciúmes, birras e favorecimentos àqueles que julgamos mais íntimos?

– Aqueles que chegam, são devidamente acolhidos como gostaríamos que nós mesmos fossemos acolhidos?

– Para vocês, o que significa acolher o irmão?

– No texto acima, qual aspecto da acolhida de Jesus a Zaqueu mais chama atenção?

– Qual o maior desafio em acolher como Jesus acolheu?

– Temos utilizado a comunicação assertiva como ferramenta de inclusão e acolhimento?

– Se alguém fora do “padrão” estabelecido vier nos visitar em nosso sodalício querendo informações de como participar, daremos real atenção e acolhida?

– Reconhecemos na figura daquele que está chegando a figura do Cristo peregrino?

– As pessoas de fora da Ordem Terceira que veem o sodalício inserido em uma paróquia ou diocese, conseguem visualizar na relação entre os irmãos a centelha de amor fraterno e se sentirem incendiadas por esta centelha caso se aproximem?

– Qual nossa diferença em relação à acolhida e hospitalidade em relação às comunidades cristãs da antiguidade?

– “Da experiência de se reconhecerem como irmãos e irmãs, nasce a exigência de envolver outros na fascinante aventura humano-divina da construção do Reino de Deus”. Nossa regra nos aponta que a partir da fraternidade e no reconhecimento mútuo floresce a exigência de não encerrarmos esta graça dentro das paredes de nosso sodalício, somos abertos a receber novos membros por crer que este caminho é possível a construção do Reino de Deus?

– Valorizamos as riquezas e potencialidades de cada irmão do sodalício, inclusive daqueles que estão chegando, tratando a todos como membros do corpo místico de Cristo?

– Há a sensação de rivalismo, fofocas, panelinhas entre os irmãos? Se sim, quais seriam as ações concretas que poderiam ser tomadas para reduzir ou eliminar estas situações?

– Os novos meios de comunicação são ferramentas essenciais nos dias atuais para assertividade e rapidez no ato de comunicar. Incluo a todos os irmãos nos comunicados digitais (WhatsApp, E-mail, Internet, Facebook)? E aqueles irmãos que seja pela falta de instrução ou por falta de recursos financeiros, podem dizer que se sentem inclusos também nas comunicações do sodalício?

– Se uma pessoa de fora de nosso sodalício, chegasse hoje pedindo informações sobre a Igreja, sobre a Ordem Terceira, sobre o que são os carmelitas, sobre qual nossa história, saberíamos atendê-lo dentro de suas curiosidades e ansiedades? E se este irmão pudesse avaliar esse primeiro contato, qual seria a nota que ele nos daria de 0 a 10?

– Há irmãos formalmente nomeados pela mesa diretora do sodalício que são responsáveis por realizar a acolhida daqueles que estão interessados em iniciar a caminhada vocacional no sodalício?

– Acolhemos aqueles irmãos que não conseguem mais participar do sodalício por motivos de doença, idade avançada ou outra impossibilidade qualquer?

– Listem 5 itens que a seu ver é essencial para realizar uma boa acolhida no sodalício.

– Reconhecemos as capacidades, habilidades e dons dos irmãos do sodalício e permitimos que estes irmãos coloquem estes à disposição do sodalício para crescimento da comunidade?

– Nossa escuta (quando existe escuta) às necessidades, dúvidas e sugestões dos irmãos é algo verdadeiro ou apenas cumprimos protocolos de boa convivência?

– À época de Jesus, os excluídos eram os publicanos, pobres, viúvas, prostitutas, samaritanos que encontravam em Jesus acolhida e carinho, em nossos dias quem são os excluídos, poderíamos listá-los e também discutir as formas de acolhê-los, caso seja necessário?

– Você já passou situações onde a acolhida deixou a desejar, seja no sodalício, na paróquia, no trabalho ou na família? Se sim, poderia explicar como a situação ocorreu e o que aprendemos dessas situações para não repetirmos os erros de outras pessoas?

– Diante de tudo o que foi discutido acima, elaborem um plano concreto de acolhida no sodalício, nomeando responsáveis, formas de abordagem, maneiras de se apresentar a Ordem, momentos de comunhão fraterna entre outras atividades de acolhida mútua.

Fonte:

– “A ACOLHIDA NA PRÁTICA ECLESIAL:  Reflexão a partir do encontro entre Jesus e Zaqueu Lc 19,1-10” – LAURINDA TERESINHA MOREIRA DUARTE – Tese de Mestrado – PUCSP.

– Regra da Ordem Terceira do Carmo.


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