“Forte armadura

ante o adversário,

Na guerra dura

o Escapulário

vem nos guardar”

(do cântico Flos Carmeli)

Estou cheio de alegria no Senhor; minha alma exulta em meu Deus, pois que ele me revestiu de vestes de salvação, ele me cobriu de um manto de justiça, como o esposo que se cinge de um diadema, como a noiva que se adorna de suas jóias.”

(IS. LXI, 10)

“Deus te salve, Virgem

Mãe e protetora,

Da Ordem do Carmo

Sempre defensora.

Por maior grandeza

Como está sabido

Do céu nos trouxeste

Tão rico vestido.

Prometendo a todos

Com amor materno

Morrendo devotos,

Livrá-los do inferno.

Este Escapulário

Tão santo bentinho

É da salvação,

Seguro caminho.”

(DO OFÍCIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO)

1. O que é o Escapulário? O Escapulário (ou bentinho) é um dos sacramentais da Igreja1. É composto por dois retângulos ou quadrados de tecido de lã de cor preta ou marrom, unidos por um cordão, de forma que recaiam sobre o peito e as costas de quem o usa. O Escapulário do Carmo, uma vez bento e imposto, não precisa de uma nova benção quando se substitui por outro novo.

2. O Escapulário precisa ter imagens? Não. O Escapulário se resume aos dois pedaços de tecido abençoados e impostos. Os cordões podem ser mudados.

3. De onde vem o nome escapulário? O hábito de trabalho que os monges usavam para não sujar ou estragar a túnica chamava-se escapulário. Daí a origem do nome, visto que o hábito pousava sobre as “escápulas” (do latim scapula = ombros). Posteriormente, o Escapulário tornou-se parte integrante do hábito dos religiosos do Carmo, tendo assim um vasto significado simbólico. Usar o Escapulário é tomar a cruz de cada dia, como nos ordenou Cristo, bem como revestir-se de Maria, na fiel imitação de suas virtudes. Os pequenos Escapulários que hoje conhecemos são miniaturas da peça do hábito religioso carmelita, podendo ser usados dentro ou fora da roupa.

4. Como surgiu o Escapulário do Carmo? São Simão Stock era Superior Geral dos Carmelitas no século XIII, época em que o Carmelo passava por grandes dificuldades e perseguições. Dirigindo intensas orações à Virgem do Carmo, São Simão pediu a Ela um sinal de Sua proteção e aliança para com a Ordem. Segundo o relato do próprio santo, “a Virgem me apareceu em grande cortejo, e, tendo na mão o hábito da Ordem, disse-me: Recebe, querido filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção eterna. Quem morrer piedosamente revestido com ele será preservado do fogo eterno”. Com o passar do tempo, a Igreja, querendo beneficiar a todos os seus filhos com a graça de portarem o santo Escapulário, favoreceu e facilitou sua recepção. Hoje, já não é necessário ser membro de uma confraria ou ordem terciária do Carmo para possuir o privilégio de vestir o Escapulário. Assim, quis a Igreja mais prodigamente estender a todos a possibilidade de fazer parte da grande família carmelitana e participar dos seus méritos (orações, sacrifícios, virtudes, etc.).

5. Quais são as promessas relativas ao Escapulário do Carmo? São duas: a chamada Grande Promessa e o Privilégio Sabatino.

6. Em que consiste a Grande Promessa do Escapulário? Consiste em que a pessoa que morre com o Escapulário, ou receberá de Nossa Senhora na hora da morte a perseverança no estado de graça (estado de amizade com Deus; isenção de pecados graves não perdoados), se nele estiver, ou – caso contrário, a graça do arrependimento e perseverança final. Deus já confirmou com inúmeros milagres a autenticidade da Grande Promessa. O Senhor usa os milagres como testemunho da verdade das Suas promessas e das de Sua Mãe, confirmando os fundamentos sólidos das devoções que a Igreja propõe aos fiéis. Quanto maior for o número de milagres obtidos por uma devoção em particular, maior o sinal de que essa prática é agradável a Nosso Senhor. O piedoso uso do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo já testemunhou milagres assombrosos como revitalização de mortos, volta de sentidos perdidos, libertação de possessão diabólica, dom da indestrutibilidade, entre outros.

7. O que é o Privilégio Sabatino? O Privilégio Sabatino consiste, essencialmente, numa rápida libertação das penas do Purgatório por especial intercessão de Santa Maria, exercida graciosamente em favor dos Seus devotos especialmente no Sábado, dia que Lhe é consagrado. Pio XII, referindo-se a isso, disse: “Certamente a piedosíssima Mãe não deixará de fazer com que os filhos que expiam no Purgatório suas culpas alcancem o quanto antes possível a pátria celestial por Sua intercessão, segundo o chamado Privilégio Sabatino, que a tradição nos transmitiu”.

8. Que requisitos são necessários para se ganhar o Privilégio Sabatino? Há três condições para receber os benefícios do Privilégio Sabatino: 1ª) devemos usar o Escapulário com reta intenção; 2ª) guardar a castidade de acordo com o nosso estado de vida (perfeita para os solteiros e matrimonial para os casados; lembrando que a guarda da castidade já é mandamento divino); 3ª) rezar as orações que o sacerdote determinou na ocasião da imposição. Originalmente, a oração a ser rezada diariamente era o pequeno ofício de Nossa Senhora (Ofício Parvo). É comum essa obrigação ser comutada pelo sacerdote por outra obra pia como, por exemplo, a reza de três Ave-Marias.2 O sacerdote, se recebe o Escapulário e já reza o Ofício Divino, cumpre a obrigação referente à oração sem ser preciso outra comutação.

9. Basta usar o Escapulário para ser salvo? Certamente que o Escapulário não dispensa o fiel católico dos sacramentos, que são os meios instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo como via normal para nos santificar, e da prática das virtudes; não pensem os que vestem o Escapulário que possam conseguir a salvação eterna abandonando-se à perdição e à queda espiritual (viver em estado de pecado mortal)… O Escapulário não coloca no Céu as almas em pecado mortal, mas ajuda a bem receber os Sacramentos, à conversão da alma e a perseverar no bem. Quantos casos houve de pessoas que, abusando do Escapulário, levavam uma vida depravada, gabando-se de que se salvariam porque usavam o Escapulário, e que, no momento da morte, o tiveram arrancado do pescoço por algum acidente ou por si próprios na hora da agonia! Podemos, pois, colocar como princípio que o hipócrita que revestisse o Escapulário na intenção de continuar a pecar desafiando livremente a justiça de Deus, encontrar-se-ia excluído das promessas da Santíssima Virgem. Deve-se, entretanto, apreciar diferentemente o caso daquele que, por fraqueza ou influência, deixasse-se levar pouco a pouco a ter uma vida desordenada enquanto portasse o Escapulário carmelitano e conservasse a firme esperança que a Santíssima Virgem o ajudará um dia a mudar de vida e a atingir sua salvação. Quanto a esse, é perfeitamente permitido crer que Maria trabalhará para convertê-lo, e que ela fará com que ele não morra subitamente sem o socorro da religião, ou, ao menos, sem ter podido se arrepender. Fosse-lhe necessário retardar a morte iminente, a fim de dar ao moribundo o tempo de se reconciliar com Deus, de receber os sacramentos ou de fazer ao menos um ato de contrição perfeita, Maria estenderá certamente até esse ponto a sua solicitude maternal. Isso porque o engajamento que a liga aos seus confrades do Escapulário é um desses pactos sagrados cuja duração é sem limites e cujo teor é inviolável. A Bem-aventurada Virgem do Monte Carmelo obterá para seus filhos as graças de prevenção que lhes preservarão do pecado mortal, lhes protegerão nas ocasiões de perigo e que lhes santificarão. É neste sentido que ela disse a São Simão Stock que o Escapulário seria “um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, um penhor de paz e de aliança eterna”. Entretanto, se ele não é passaporte infalível para quem o usa indignamente e com presunção, pode servir de grande meio de conversão, movendo almas empedernidas ao arrependimento e auxiliando a sair do pecado mortal. Conta-se de conversões obtidas na hora da morte unicamente ao impor-se ao moribundo o Escapulário do Carmo.

10. Quando usá-lo? Sempre e em todo momento, mesmo ao tomar banho ou ao dormir. Quem o recebeu e deixou de trazê-lo consigo (mesmo no caso de perda da fé ou da devoção), basta que comece de novo a usá-lo, sem precisar de nova imposição. A utilização do Escapulário não obriga sob pena de pecado. Pode-se, pois, depois de tê-lo recebido, parar de usá-lo sem cometer nenhuma falta moral; mas não mais se beneficia de suas promessas. Caso seja ele tirado de um doente no hospital contra a sua vontade, considera-se que ele continuou a portá-lo. Pode-se também, nesse caso, pedir que ele seja amarrado próximo ao doente.

11. Crianças podem usar o Escapulário? Sim. O Escapulário pode ser imposto mesmo em crianças que não chegaram ao uso da razão, pois lhes servirá de “defesa e salvação nos perigos”.

12. A Medalha-Escapulário é aprovada pela Igreja? No dia 16 de dezembro de 1910, Sua Santidade o Papa São Pio X concedeu que o Escapulário pudesse ser substituído por uma medalha que tivesse: de um lado uma imagem de Nossa Senhora, sob qualquer título ou invocação e, do outro lado, uma imagem do Sagrado Coração de Jesus. Não é necessário trazer a Medalha-Escapulário ao pescoço, podendo ser colocada no bolso ou em outra parte do corpo. Ao contrário do que se dá com o Escapulário de lã (ao qual basta que só o primeiro seja bento, pois, como se diz, “esse benze os demais”), cada Medalha-Escapulário que se troca precisa ser benta.

13. Por que São Pio X autorizou o uso da medalha? O Santo Papa o fez para atender aos apelos de missionários de zonas tórridas, em favor dos nativos, pois os pedaços de lã ficavam logo em condições intoleráveis, às vezes sendo ninho de vermes pelo calor.

14. Pode-se receber a imposição com a medalha? Não, somente com o Escapulário de lã. A medalha, quando for colocada, pode ser benta com uma bênção simples, fazendo-se a intenção de usá-la para substituir o Escapulário, ganhando-se com o seu uso quase todas as indulgências e privilégios concedidos aos pequenos Escapulários. Todas as pessoas validamente investidas com um Escapulário de tecido propriamente bento podem trocá-lo pela medalha de metal.

15. O Escapulário de tecido tem proeminência sobre a Medalha-Escapulário? Sim. Embora condescendendo em conceder à medalha as graças do Escapulário, São Pio X declarou muito explicitamente “seus veementes desejos de que todos os fiéis continuassem levando o Escapulário da mesma forma que antes”, e que a medalha só fosse usada quando houvesse um inconveniente real em se levar o Escapulário de lã. Corroborando esse desejo de São Pio X, seu sucessor Bento XV disse ao geral dos Carmelitas Descalços em 8 de julho de 1916: “Para que se veja que meus desejos de que se leve o Escapulário, concedo a ele uma graça que não tem a medalha”; e concedeu uma indulgência ao fiel cada vez que oscule seu Escapulário.

16. Qual a relação entre Fátima e o Escapulário? John Mathias Haffert, autor do livro “Maria na sua Promessa do Escapulário”, entrevistou a Irmã Carmelita Lúcia, a vidente de Fátima ainda viva e perguntou por que na última aparição Nossa Senhora segurava o Escapulário na mão? Irmã Lúcia respondeu simplesmente: “É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário”.

17. Quais santos usavam o Escapulário do Carmo? Além dos santos carmelitas, vários outros como São Carlos Borromeu, São Francisco de Sales, São João Maria Vianney, São Pedro Claver, São João Bosco, Santo Afonso Maria de Ligório… Quando estes dois últimos morreram, foram sepultados com as suas vestes sacerdotais e o Escapulário. Quando, muitos anos mais tarde, as sepulturas foram abertas, os corpos e as vestes sagradas com que tinham sido sepultados estavam reduzidos a pó. Mas o Escapulário castanho que cada um deles usava estava perfeitamente intacto. O Escapulário de Santo Afonso está exposto no seu Mosteiro em Roma.

18. Existiram papas que usavam o Escapulário? Desde o século XVI, que é quando se estende por toda a cristandade o uso do escapulário do Carmo, vários Papas o vestiram a propagaram, como Clemente VII, Beato Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Pio XI, Pio XII, São João XXIII, Paulo VI e São João Paulo II, dentre outros.

19. Existiram nobres que usavam o Escapulário? O Escapulário é a devoção de papas e reis, de pobres e plebeus, de homens cultos e analfabetos. É a devoção de todos. Entre os nobres, foi a devoção de São Luís IX, de Luís XIII, Luís XIV da França, Carlos VII, Filipe I e Filipe III da Espanha, Leopoldo I da Alemanha e Dom João I, de Portugal.

20. Qualquer padre pode impor o Escapulário? Sim. No dia 28 de janeiro de 1964, o Papa Paulo VI concedeu que todos os sacerdotes (ou diáconos) com o uso legítimo do sacramento da Ordem pudessem impor o Escapulário e substituí-lo pela respectiva medalha, pois, até esse dia, era privilégio dos padres carmelitas ou de outros sacerdotes autorizados pela Santa Sé. Em caso de urgência (perigo de morte), e se for impossível achar um sacerdote, um leigo poderia impor um escapulário que tenha sido anteriormente abençoado por um padre, em si mesmo ou em outra pessoa, recitando uma oração à Santíssima Virgem.

21. O que fazer com o Escapulário velho e gasto que foi substituído? Na ocasião da substituição do Escapulário, o mais correto de eliminar o antigo é, por respeito, queimá-lo, e não jogá-lo no lixo.

22. É verdade que os soldados podem, em tempo de guerra, impor a si mesmos o Escapulário? Para atender a um apelo do Geral dos Carmelitas Descalços, São Pio X concedeu aos soldados de todo o mundo a faculdade de impor-se (em tempo de guerra) a si próprios o Escapulário do Carmo. Para isso é necessário que o soldado tenha um Escapulário propriamente bento, e que o ponha no pescoço ou, no caso de impossibilidade, ao menos no ombro, de maneira que uma parte penda no peito e outra nas costas. E que no momento da imposição ou logo depois, reze algumas preces à Santíssima Virgem, como a Ave-Maria. Deste modo ele será membro da família carmelitana e terá direito a todos os seus benefícios.

23. Cerimônia da Bênção e Investidura do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo Para uma investidura correta do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, leve alguma água benta e a fórmula da próxima folha a um sacerdote e peça-lhe para seguir os procedimentos da cerimônia que passamos a apresentar. A fórmula foi tirada do Rituale Romanum (a versão em português, apresentada após a oficial latina, é de tradução livre).

Português

Sacerdote: Senhor, mostrai-nos a Vossa misericórdia.

Respondente: E dai-nos a Vossa salvação.

Sacerdote: Senhor, ouvi a minha oração.

Respondente: E que o meu clamor chegue a Vós.

Sacerdote: O Senhor esteja convosco.

Respondente: E com o vosso espírito.

Sacerdote: Oremos. Senhor Jesus Cristo, Salvador da humanidade, santi (+) ficai pela Vossa mão direita este (estes) Escapulário(s), que o(s) Vosso(s) servo(s) usará(ão) devotamente, por Vosso amor e da Vossa Mãe Santíssima, Nossa Senhora do Carmo, para que, por Sua intercessão, seja (sejam) protegido(s) dos espíritos malignos, e persevere(m) na Vossa graça até à morte: Vós Que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

O sacerdote depois asperge o(s) Escapulário(s) com Água Benta, e em seguida coloca-o sobre os ombros do respondente — uma peça para a frente, outra para as costas, dizendo:

Recebe (recebei) este Santo Escapulário, e pede (pedi) à Santíssima Virgem que, pelos Seus méritos, o possas (possais) usar sem qualquer mancha de pecado, e que Ela te (vos) proteja de todo o mal e te (vos) conduza à vida eterna. Amém.

Depois de investir cada Escapulário Castanho, continua com as orações seguintes:

Pelo poder que me foi concedido, recebo-te (-vos) na participação de todos os bens espirituais provenientes dos Religiosos do Carmo, com a ajuda misericordiosa de Jesus Cristo. Em nome do Pai, e do Filho, (+) e do Espírito Santo. Amém.

Que Deus Onipotente, Criador do Céu e da Terra, que Se dignou receber-te (-vos) na Confraria de Nossa Senhora do Carmo, te (vos) aben (+) çoe. Pedimos-Lhe que na hora da tua (vossa) morte esmague a cabeça da antiga serpente e obtenha para ti (vós) a palma e a coroa da tua (vossa) herança eterna. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

O sacerdote asperge a pessoa que recebe o Escapulário com Água Benta. Se houver mais do que uma pessoa a recebê-lo, usa a fórmula no plural.

Se o sacerdote benze apenas o Escapulário, então a bênção começa com “Senhor, ouvi” e termina com a oração “Senhor Jesus Cristo, Salvador da humanidade”.


Fonte: SOCIEDADE DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA – SSVM – Montes Claros – Maio de 2016

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