Divindade da Confissão – A Confissão sacramental não é invenção dos homens; instituiu-a Nosso Senhor Jesus Cristo quando disse a seus Apóstolos: “Recebei o Espírito Santo; os pecados que perdoardes, serão perdoados, e os que retiverdes, serão retidos”. Negar a divindade da confissão é pecado de heresia, o mesmo que negar a existência de Deus ou o mistério da Santíssima Trindade.

Obrigação de confessar-se – Suposto o pecado mortal, há obrigação de confessar-se, todas as vezes que se tenha de receber a Santa Comunhão e em perigo de morte. Importa, porém, notar que, neste ponto, isto é, no tocante à necessidade de confessar-se cada vez que se vai comungar, compreenda-se quando em pecado mortal, pois os que praticam a comunhão frequente, consultem o seu diretor e façam o que lhes for determinado por ele.

Quão razoável é confessar-se – Não carecemos de o demonstrar, num manual que se destina a carmelitas terceiros, confrades e devotos de Nossa Senhora do Carmo. Simples cristãos o compreendem, muito mais o devem entender aqueles que na sua piedade buscam aperfeiçoar-se, agregando-se a sodalícios que só os admitem, já compenetrados dessas noções. Aliás, o bom senso está mostrando que, si é criterioso procurarmos o médico, quando o nosso corpo está enfermo, também devemos para a nossa alma, enferma pelo pecado, procurar a medicina que não falha e restaura, a confissão sacramental. Digamos, apenas quais devem ser os dotes da boa confissão:

A confissão deve ser íntegra, simples, humilde, discreta, fiel, vocal, dolorosa, pura e simples.

a) Íntegra, isto é, manifestar o número e a espécie dos pecados, explicar as circunstâncias que mudam a espécie dos pecados.

b) Simples, isto é, breve, singela, não mesclada de pecados alheios, assuntos e informes impertinentes.

c) Humilde de coração, no modo de acusar-se, na postura, como réu que tal se reconhece diante do juiz.

d) Discreta, empregando as palavras mais honestas, evitando detalhes desnecessários, sobretudo em matéria de pureza.

e) Fiel, sincera, sem dissimulações, sem palavras ambíguas ou artifícios para enganar o confessor ou diminuir a gravidade e a malícia dos pecados, sem desculpas, tendo em vista que Deus a quem se acusa, exclusa e a quem se exclusa, Deus o acusa.

f) Vocal, ou seja, de viva voz, a não ser por causa grave, e em presença do confessor.

g) Dolorosa, acompanhada de dor dos pecados, pelo menos de dor de contrição e com sincero e firme propósito de emenda.

h) Pura, feita com retidão de intenção, com o fim de obter as graças sacramentais, antecipadamente na perfeição, obter o perdão dos pecados, etc.

i) Submissa, aceitando a penitencia com intenção de cumpri-la e os conselhos de admoestação do confessor.

Depois de se ter confessado, e, disposto a seguir os conselhos e advertências que se ouviram, cumpra-se a penitência, pedindo a Deus perdão, de todo o seu coração.

Oração para antes da confissão

Estou, Senhor, envergonhado dos meus erros, e sinto-me humilhado sob a mais dolorosa das escravidões.

Não posso mais, não quero servir mais a um amo tão cruel. Qual outro filho pródigo, acossado pela lembrança de vossas graças, fascinado pela recordação dos plácidos dias da minha inocência, e alentado pela paternal bondade de vosso Coração, atrevo-me a levantar para Vós os meus olhos, cheios de lágrimas, as minhas mãos suplicantes, para Vós pedir a graça necessária, os auxílios de que careço, afim de fazer uma boa confissão de todos os meus pecados. Ajuda-me, Pai amorosíssimo, Vós que não quereis a morte do pecador senão que ele se converta e viva. Amém.

Oração à Santíssima Virgem do Carmo antes da confissão

Não consentem as mães que seus filhinhos manchem com o lodo as roupas de festa que elas neles vestiram. Porque um filho bem tratado e bem vestido é um espelho, onde com mais prazer se mira uma mãe. Vós, senhora e Rainha minha, sois a mãe que me presenteastes com o celestial hábito de vosso Escapulário, para que ele fosse meu vestido de gala e distintivo honroso, que se diga muito alto e em todo o mundo que eu sou filho da Rainha, da Excelsa Rainha do Carmelo…

Mas, ai de mim! Tenho sido um mau filho, deixando-me levar pelas leviandades e irreflexões próprias dos meninos, com eles, entreti-me em brincar com o barro que está cheio de criminais vícios e baixas paixões, manchei o vestido de pureza que me mandastes do céu, para que eu conservasse sempre limpa minha alma, aos vossos olhos e aos de Deus. Perdoai, minha Mãe, o ter eu desobedecido aos conselhos que o angélico São Simão Stock dava, na hora da morte, a seus filhos e também a mim, quando os exortava a trazer o vosso Escapulário com dignidade e pureza. A Vós peço socorro para corrigir meus erros. Vós que socorrestes o libertino e dissoluto Francisco de Sena, e o angelical menino São Alberto de Sicília, para limpar aquele de seus pecados e para prevenir a este com singulares graças, para que não manchassem sua alma, com a corrupção do mundo, acolhei-me, pobre pecador, acompanhai-me e levai-me pela mão, agora que vou lavar minha consciência, na milagrosa piscina do sacramento da penitência. Amém

Oração para depois da confissão

Oh! Deus meu, quanto sois bom! Como é verdade que sois pronto em perdoar e tardio em castigar, para dar lugar ao arrependimento! Já estou limpo dos muitos pecados que faziam minha alma mais horrenda a vossos olhos que a figura de um demônio aos meus.

Há um momento, eu era escravo de Satanás, sobre a minha cabeça fulgurava o raio de vossa justiça indignada, aberto estava a meus olhos o inferno, soava a meus ouvidos a formidável sentença dos réprobos: “Aparta-te de mim, maldito para o fogo eterno!”. Agora, para minha felicidade, trocastes vossa justiça em misericórdia, meus pecados em graça, a fealdade de minha alma em formosura digna da divina complacência; minha própria alma, de morada do demônio em templo vivo do Espírito Santo, o terrível inferno em esperança do céu, a sentença dos réprobos, nas palavras que dizeis aos justos: “Vindo, benditos de meu Pai, possuir o reino que vos está preparado”. Graças, Senhor, graças por tanta misericórdia, que acabas de dispensar a esse humilde pecador. Amém.

Fonte: Manual dos Terceiros Carmelitas de Nossa Senhora do Carmo e dos Confrades do Santo Escapulário do Carmo. Frei Thomas Jansen – Segunda edição – 1929.


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