Estimados irmãos e irmãs da Ordem Terceira do Carmo de nossa Província
Salve Maria!

A razão ao qual lhes escrevo na data de hoje é para abordar um assunto espinhoso ao qual nossa sociedade tem passado, que é a polarização e como essa polarização que acompanhamos na sociedade tem aos poucos se infiltrado em nossos sodalícios, nossas fraternidades e nossas famílias.

Na política, o significado estrito de polarização é simplesmente a divisão de uma sociedade em dois polos a respeito de um determinado tema. Porém, essa palavra tem sido usada de um modo mais negativo: polarização é como chamamos a disputa entre dois grupos que não dialogam entre si, que se fecham em suas convicções e não estão dispostos ao diálogo. Uma ferramenta que é utilizada nos dias atuais para reforçar esta polarização são as redes sociais, nelas há algoritmos que determinam quais conteúdos e informações chegarão até nós, estes algoritmos analisam as tendências que seguimos e nos propõem apenas conteúdos que reforçam nossas pré-disposições fazendo com que, ao consumir este conteúdo, tenhamos uma visão cada vez mais limitada do todo. Gosto de uma frase de um pensador que fala sobre as redes sociais que diz assim: “Se você não está pagando por um produto, é sinal de que o produto é você.” Andrew Lewis.

Estas bolhas ideológicas que são criadas permitem a criação e propagação de grupos dos mais variados, como aqueles que defendem que a Terra é plana ou aqueles que são antivacinas por exemplo. Estas bolhas também invadiram o cenário político nacional onde vemos pessoas completamente alienadas defendendo suas visões político/partidárias/ideológicas de forma muitas vezes passional. Este comportamento têm gradualmente invadido as discussões inclusive nos grupos sociais do WhatsApp de algumas de nossas comunidades, recentemente ao exortar uma irmã por uma postagem destilando ódio ao grupo político contrário ao que ela defendia, fui questionado se pertencia “ao outro lado” palavras da pessoa que havia sido exortada. Ora, questionar um comportamento inapropriado dentro de um grupo com fins religiosos não me faz ser do “outro lado”, exemplo clássico da polarização ao qual nos encontramos. Essa divisão instaurada na sociedade atende os interesses de um pequeno grupo que lucra com esta polarização, sigamos àquilo que nos disse Nosso Senhor: “Não seja assim entre vós” Mt 20,26a. Quanto a isso, meditemos um pouco sobre as palavras de São Paulo:

“Com efeito, enquanto houver entre vós ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um modo totalmente humano? Quando, entre vós, um diz: “Eu sou de Paulo” – e outro –: “Eu, de Apolo” –, não é isso um modo de pensar totalmente humano?” 1Cor 3, 3.4

Se para São Paulo a divisão dentro da Igreja daqueles que se diziam de Paulo e daqueles que se diziam de Apolo era um modo modo de pensar totalmente humano, que dirá nos dias atuais quando dizemos passionalmente que somos do político A, do político B, da ideologia A, da ideologia B, excluindo, perseguindo, criticando e isolando aqueles que pensam diferente de nós? Nosso Senhor novamente nos diz: “Não seja assim entre vós” Mt 20,26a

Gostaria de estender esta reflexão aos pensamentos de algumas correntes que alguns “católicos” aderem, muitos destes pensamentos foram coletados em troca de e-mails com pessoas desejosas em entrar para a Ordem Terceira do Carmo que nos contactaram pelo site otcarmo.org, vejam o que já chegou para nós em nossos canais:

  • A Igreja está sedevacante (ou seja, sem Papa) desde o Papa Pio X ou Papa Pio IX;
  • O papa Francisco não é o Papa;
  • O verdadeiro Papa é o Papa Bento XVI;
  • O papa Francisco é comunista;
  • O Concílio Vaticano II é herético;

Caríssimos, o mundo já está cheio de protestantes extra ecclesia que questionam a validade dos sacramentos, a devoção à Nossa Senhora, o sacerdócio, a tradição, a doutrina, a sucessão Apostólica, os dogmas entre tantas outras verdades de nossa fé, notamos agora o aparecimento de protestantes intra ecclesia seguindo este mesmo caminho. “Não seja assim entre vós”. Nós, os carmelitas da Ordem Terceira devemos ter amor à Igreja, amor ao Magistério da Igreja, amor ao Papa e aos ensinamentos que recebemos. Devemos entender que o Magistério está aí para ser seguido não para ser questionado ou criticado. Maior expoente disso é o próprio Papa Emérito Bento XVI ao afirmar que o Papa é o Papa Francisco:

“A unidade da Igreja está sempre em perigo, há séculos. Foi assim em toda a sua história. Guerras, conflitos internos, ameaças de cismas. Mas sempre prevaleceu a consciência de que a Igreja é e deve ficar unida. A sua unidade sempre foi mais forte do que as lutas e as guerras internas”. Esta é a certeza de Bento XVI que recorda a todos: “O Papa é um só, Francisco”. https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2019-06/papa-bentoxvi-unidade-entrevista-corriere.html

Tenham discernimento para reconhecer naqueles que chegam ou em si mesmos se há traços destes pensamentos, pois os mesmos conflitam com o amor que o carmelita deve possuir no coração pela Esposa de Cristo, A Igreja Católica Apostólica Romana.

Notem irmãos, tanto na primeira quanto na segunda situação expostas neste comunicado, as discussões, contendas, lutas e brigas em torno destes assuntos, atentam diretamente contra nosso segundo pilar carismático carmelitano que é a fraternidade, nossa Regra da Ordem Terceira do Carmo ilustra bem o produto da vivência profunda deste carisma:
“A vida associativa dos leigos carmelitas deve destacar-se pela simplicidade e autenticidade; cada comunidade deve ser um lar de fraternidade, onde cada um se sente em sua própria casa, acolhido, conhecido, valorizado, encorajado na caminhada, e quando necessário, corrigido com atenção e caridade.” – Regra OTC, parágrafo 43.

Finalizo este comunicado, deixando-nos uma pequena provocação que foi feita pelo Papa Francisco em 20 de janeiro deste ano que dizia: “Podemos examinar-nos e perguntar-nos se, nos locais onde vivemos, estamos a fomentar conflitos ou a lutar para crescer em unidade com os instrumentos que Deus nos deu: a oração e o amor”

Que Nossa Senhora do Carmo, mãe e irmã dos carmelitas nos abençoe e nos guarde.
Um abraço fraterno!

Irmão Davi Rufino


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