Formação Permanente

1. Descrição

Este período de formação começa logo após a profissão definitiva e prossegue pela vida inteira. O programa único é estabelecido pela comunidade à qual pertence o carmelita leigo (119) e adaptado às necessidades de cada membro, da comunidade e de cada situação. Para assegurar que a formação continuada é autenticamente carmelita, os terceiros se esforçarão para aprofundar continuamente seu conhecimento, sua compreensão desses ensinamentos, sobretudo dos santos do Carmelo com o objetivo de progredir em sua vida interior de oração e espiritualidade. Os terceiros reconhecem “nos carmelitas consagrados na vida religiosa, uma válida direção espiritual” (120) para acompanhá-los na caminhada de formação.

Além dos novos itens, específicos para esta etapa formativa, devem ser revisadas e aprofundados os tópicos das etapas anteriores. Além das contribuições (frades, monjas, leigos), alguns desses temas poderão ser muito bem e adequadamente abordados pelos departamentos de educação religiosa das universidades locais ou dos seminários, que podem indicar palestrantes para momentos específicos ou para uma sequência de palestras.

O chamado para a Ordem Terceira do Carmelo coloca os terceiros, como leigos, na linha de frente da Igreja e da sociedade. Esse caráter dual da vida como leigo comprometido traz desafios e tensões iniciais.

A compreensão da tradição mendicante pode lhes permitir assumir uma visão mais profunda das vicissitudes da vida como doenças, privações, rupturas de relacionamentos, desemprego. Viver com essas dificuldades com fé e esperança pode ser uma experiência formativa pelas quais suas atitudes e percepções serão mais aprofundados.

Como a formação é um processo contínuo durante toda a vida terrena, os carmelitas leigos se comprometem a cooperar com o Espírito Santo. Empregam todos os dons que Deus concede e dão o máximo de si mesmos para serem o que Deus quer para glorificar a Deus tornando-se pessoas de “vida em plenitude”. Assim, esforçam-se para ter uma vida equilibrada do ponto de vista físico, intelectual, psicológico, social, emocional tanto como espiritual. Conforme aprenderam nas primeiras etapas, os terceiros sabem que é Deus quem toma a iniciativa do processo e que é pela oração e pela graça e pela prática das virtudes que a transformação acontece. Aprenderam que “comparecem diante do Senhor de mãos vazias.” A concepção da formação continuada, em que o espírito de Deus “sopra pelas” virtudes que já tiverem adquirido e espalha o odor deles por onde Deus quer, demonstra a beleza da compreensão que os carmelitas têm da relação entre contemplação e serviço na comunidade e o apostolado. Jesus envia os apóstolos para prepararem o lugar para a ceia; assim os carmelitas leigos também são enviados para preparar um lugar adequado para a vinda de Deus.

2. Objetivos

Os professos do sodalício assumem sua responsabilidade de manter em desenvolvimento e aprofundamento a própria vida como carmelitas. Recomenda-se que cada um tenha um diretor espiritual que o oriente na caminhada. Essa forma de acompanhamento é muito importante para ajudá-los na reflexão sobe si mesmos e para encontrar e entender a vontade de Deus no estado de vida em que agora se encontram. Assim, ajuda a prevenir contra o egoísmo e a rigidez espiritual.

Os irmãos e irmãs do sodalício serão estimulados a se colocarem disponíveis para a ação do Espírito Santo e para as nossas necessidades e transformação do mundo em vivem. Essa tarefa está formulada na Regra da OTC: “os seculares são chamados, na especificidade de sua vocação, a iluminar e a dar o justo valor a todas as realidades temporais, de forma que sejam vividas segundo os valores proclamados por Cristo…” (121,122)

Os terceiros são chamados a cooperar com a dificuldade do Reino de Deus e do carisma do Carmelo. Procuram estimular-se e expandir esta tarefa de evangelização e apostolado específico do Carmelo. Devem ser estimulados a comprar a eventos regionais e internacionais da Ordem, adequados a seu estilo de vida e a ler as publicações carmelitas como a Revista do CITOC (NT.2) para se informar do que está ocorrendo na Família Carmelitana.

Depois da profissão perpétua, espera-se que irmãos e irmãs trabalham pelo progresso pessoal na caminhada, irão percebendo que suas necessidades mudam. Enquanto, naturalmente, vão assumindo maiores responsabilidades em sua própria vida, vão se tornando aptos a dar uma contribuição mais amadurecida para a vida da comunidade carmelita local e da Família como um todo.

3. Temas

Temas que devem ser incluídos:

1. Compreensão da Igreja; modelos da Igreja; a Igreja dos primeiros séculos; visão geral da história da Igreja; a Igreja contemporânea; o Magistério e os documentos das conferências episcopais nacionais e regionais.

2. O papel e a contribuição dos leigos na Igreja: Christifideles Laici. O povo a serviço: nossa vida como carmelitas leigos na Igreja de hoje; desenvolver a comunicação e as habilidades de liderança na comunidade.

3. Estudo das Escrituras: a Bíblia e a revelação. Trabalho com Escrituras: Jesus na Escritura; as comunidades de Marcos e Mateus e dos Atos, de Lucas; introdução ao Antigo Testamento; ambiente social do cristianismo primitivo: Coríntios, Atos, Efésios, Jerusalém. A família como base da comunidade cristã.

4. Teologia: a fé em busca da verdade. O ciclo pastoral. Ouvindo o mundo a que servimos. Formação para o apostolado. Experiência de serviço na Igreja e fora dela.

5. Doutrina Social Católica: e sua relevância na vida da comunidade local.

6. Justiça, paz e integridade da criação: o trabalho da ONG Carmelita.

7. Espiritualidade: outras abordagens e modos de orar.

8. A espiritualidade carmelita e os escritos dos santos: Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz e Santa Teresinha. Outros santos e beatos e demais figuras do Carmelo, sobretudo os que viveram na região da comunidade.

9. Ecumenismo: os documentos e a doutrina da Igreja e o conhecimento das principais denominações cristãs existentes na região.

10. Diálogo inter-religioso: o que é diálogo, documentos e ensino da Igreja e do Carmelo sobre o diálogo inter-religioso. Visão geral do ensinamento das religiões abraâmicas e das principais religiões da comunidade local.

4. Critérios

a. Critérios que a comunidade deve ler em conta:

• A habilidade para avaliar e corrigir um ao outro com compaixão.

b. Alguns perguntas os membros podem fazer para discernimento:

• A habilidade de autorreflexão e cooperação com o assistente espiritual.

• O reconhecimento da responsabilidade pessoal em relação ao futuro da comunidade e à sua formação.