16 de Junho de 2019

Evangelho – Jo 16,12-15
Tudo o que o Pai possui é meu. O Espírito Santo
receberá do que é meu e vo-lo anunciará.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 16,12-15

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
12 Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos,
mas não sois capazes de as compreender agora.
13 Quando, porém, vier o Espírito da Verdade,
ele vos conduzirá à plena verdade.
Pois ele não falará por si mesmo,
mas dirá tudo o que tiver ouvido;
e até as coisas futuras vos anunciará.
14 Ele me glorificará,
porque receberá do que é meu
e vo-lo anunciará.
15 Tudo o que o Pai possui é meu.
Por isso, disse que
o que ele receberá e vos anunciará, é meu.

Palavra da Salvação.

Comentário
É a quinta vez que, no Evangelho de João, Jesus promete enviar o Espírito e afirma que ao mesmo está confiada a missão de levar a bom termo o projeto do Pai. Sem a sua participação ativa os homens não teriam condições de receber a salvação. Por quê? No-lo revela Jesus no Evangelho de hoje. O Mestre começa dizendo: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora” (v.12).
Esta frase poderia sugerir a idéia de que Jesus, tendo vivido poucos anos, não teve a possibilidade de transmitir a sua mensagem em toda a sua plenitude. Então, para não deixar a sua missão pela metade, pois foi interrompida bruscamente pela sua morte, teria enviado o Espírito para ensinar o que ainda faltava.
Não é este o sentido das palavras de Jesus. No Evangelho de hoje ele afirma categoricamente que o Espírito não acrescentará nada àquilo que Ele ensinou (v. 13-14), não revelará nada de novo em relação ao Evangelho: sua missão se limitará a iluminar os discípulos para que eles entendam de maneira correta aquilo que o Mestre lhes ensinou.
O motivo pelo qual Jesus não explica tudo, não é a falta de tempo, mas a incapacidade de os discípulos suportarem o peso da sua mensagem. Mas de que se trata? Qual é o argumento excessivamente “pesado” para suas debilitadas forças? É o peso da cruz.
As explicações e os argumentos humanos não têm força para explicar o projeto da salvação de Deus, que passa através do fracasso, da derrota, da morte do seu Filho nas mãos dos ímpios; é impossível entender que a plenitude da vida só pode ser alcançada através do dom gratuito de si mesmo. Está é a “verdade total”, muito pesada, impossível de ser assimilada, sem a força comunicada pelo Espírito.
Na primeira leitura conhecemos o projeto do Pai na criação; na segunda foi-nos revelado que este projeto se realiza no Filho, mas não sabíamos ainda que o caminho que conduz à salvação teria sido, não só surpreendente, mas absurdo. Eis porque é necessária a intervenção do Espírito. Só ele pode nos fazer aderir plenamente ao projeto do Pai e à obra salvadora do Filho.
“Ele vos anunciará as coisas que virão” (v. 13). Não se trata como dizem as testemunhas de Jeová, das previsões sobre o fim do mundo, mas das aplicações da mensagem de Jesus aos problemas e às situações da vida dos nossos dias.
Por exemplo, não é suficiente saber que no Evangelho está escrito que devemos amar nossos irmãos, mas é preciso aplicar este princípio às situações concretas do mundo atual. Se os discípulos de Cristo forem fiéis aos impulsos do Espírito, nunca se enganarão nestas aplicações práticas, porque ele tem a missão de ensinar-nos “toda a verdade” (v.13).
E a quem o Espírito fala? Só ao papa, aos bispos, aos padres, às freiras, encarregados de transmitir depois aos fiéis as instruções recebidas? Não! Todos os discípulos de Cristo são instruídos e guiados pelo Espírito (1Jo 2,27).
“Ele me glorificará” (v. 14). Glorificar, na nossa maneira de entender, quer dizer: vencer, obter sucesso, ser elogiados e aplaudidos. Deus não precisa destas honrarias. Ele é glorificado quando seu projeto de salvação se concretiza, quando o homem que pecou se arrepende, quando o necessitado recebe apoio, quando quem sofre encontra alívio, quando um desesperado reencontra a esperança e a alegria de viver, quando alguém que está caído se levanta, quando algum doente recupera a saúde. Jesus glorificou o Pai , porque cumpriu a sua missão salvadora, que o Pai lhe confiara. O Espírito, por sua vez, glorifica Jesus, por que ilumina as mentes e os corações dos homens a respeito do Evangelho, dando-lhes a força de amar a todos, até mesmo os inimigos, renovando o relacionamento entre as pessoas e criando uma sociedade fundada numa nova lei. Eis em que consiste a glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo: um mundo no qual todos se sintam como seus filhos e vivam felizes!
As leituras deste domingo nos falaram da Trindade, não para propor-nos um quebra-cabeças, mas para revelar-nos o amor que Deus tem por nós, para manifestar-nos o seu projeto de salvação. A Trindade é a carteira de identidade dos cristãos: no discípulo de Jesus deve estar refletida a face de Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. A marca da Trindade pode ser identificada na comunidade cristã quando todos se sintam bem aceitos, estimados, valorizados, quando as alegrias e as tristezas sejam partilhadas, quando as diferenças não sejam eliminadas em nome da unidade, mas sejam consideradas um enriquecimento. Percebe-se o sinal da Trindade nas famílias onde há diálogo, amor, colaboração. Nota-se o sinal da Trindade onde quer que se procure a glorificação autêntica: não aquela que se origina da competição, da dominação sobre os outros, da injunção, mas da que provém da prestação do serviço fraterno para quem precisa sentir-se amado.
Como reconhecer uma família cristã num povoado de pagãos? Como identificar numa festa um jovem cristão? Conseguimos nós entender que o Deus Trindade, refletido numa comunidade, numa família, numa pessoa é diferente de outros deuses?

Fonte: Armellini, Fernando – Celebrando a palavra “Ano C” – Editora Ave Maria


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