Thomas de Kempis

Escrito no século XV, o livro devocional reagiu a uma época de grande decadência moral e espiritual.
“A Imitação de Cristo” é um dos maiores clássicos da espiritualidade católica. O livro foi escrito no século XV e é atribuído ao padre alemão Thomas Hemerken, mais conhecido como “Thomas de Kempis”, nasceu na Prússia do Reno (Alemanha) em 1380. Em 1400 fez-se monge agostinho em Zwolle (Holanda), ordenado sacerdote em 1431 foi escolhido como vice-prior de seu mosteiro e confiado como mestre de noviços, faleceu em 1471. Foi beatificado pela Santa Igreja. Era um homem tranquilo e místico, consagrou a sua vida ao apostolado, à oração e a composição e cópias de livros espirituais: “era calado, introvertido, cheio de ternura pelo milagre da Missa”.

Kempis é a forma latina do nome da sua cidade natal, Kempen. Composto para incentivar as práticas devocionais, o livro chegou a ser um dos mais traduzidos e lidos no mundo, com milhares de cópias distribuídas pelas bibliotecas européias mesmo antes da invenção da imprensa. Santo Inácio de Loyola leu a obra durante o tempo de retiro espiritual que passou em uma gruta de Manresa, na Espanha, e o texto o inspirou a conceber os Exercícios Espirituais. Vários santos a leram e recomendaram para orientação espiritual (além de Santo Inácio de Loyola, São Thomas More, São Roberto Belarmino, São João Bosco, São Pio X, São Pio de Pietrelcina e Santa Teresinha, que o sabia de cor), contributo para a salvação da alma e santificação. Enfim, um livro apropriado para uma vida verdadeiramente católica.

O século XV foi de grave decadência devocional e moral, com profusão de abusos e escândalos que acabariam levando à eclosão da Reforma Protestante. Numerosa parcela do clero levava uma vida de pouco fervor ou priorizando vertentes espirituais intelectualizadas, abstratas demais para o povo cristão simples e iletrado. Diante dessa frouxidão de espírito, começou a surgir a chamada “devotio nova”, ou “devoção nova”, que propunha recolocar Jesus Cristo no centro da vida de fé e de oração a partir da purificação da alma, da simplicidade espiritual, do abandono à vontade de Deus, da vivência da Missa e a exaltação das virtudes. Fizeram parte desse movimento: Greet Groote, talvez seu fundador, Santa Catarina de Sena, Tomás de Jesus, Marsilio de Pádua, entre tantos. Thomas de Kempis participou decisivamente desse movimento espiritual ao publicar os capítulos de “A Imitação de Cristo”, textos, aliás, que são independentes um do outro: é possível abrir o livro aleatoriamente e ler qualquer um dos capítulos, que tem começo, meio e fim.

Embora voltado originalmente aos clérigos de vida reclusa, o texto é um tesouro para todo e qualquer católico. A obra divide-se em quatro partes chamadas livros, subdivididos em pequenos capítulos: o primeiro, traz conselhos úteis para a vida espiritual; o segundo, traz exortação à vida interior; o terceiro, trata da consolação interior; e o quarto, do Sacramento da Eucaristia. Ainda hoje, em muitas casas religiosas trechos são lidos aleatoriamente durante as refeições comunitárias.

Em suas páginas encontra-se um traço cristocêntrico que busca uma pedagogia que privilegia a conversão, a piedade pessoal e uma ruptura com o mundo: “Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo é lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida” (Livro 1,1,2). Justamente quando toca nesse ponto (ruptura com o mundo) a obra é criticada, pois a separação do mundo que ele sugere faz com que seja tachado de individualista, ou seja, com uma espiritualidade desencarnada, fora do mundo real, e que se lido sem o devido entendimento pode levar a uma espiritualidade alienante. Para superar esta questão o leitor deve lê=lo, segundo palavras do Padre Paulo Ricardo: “recordando que o livro foi escrito para monges, ou seja, pessoas que já viviam apartadas do mundo. Para tanto, basta adaptá-lo ao dia a dia.”

Em português, uma tradução muito elogiada é a do pe. Cabral, publicada pela Editora Paulus. As Paulinas, por sua vez, lançaram uma tradução de Francisco Catão em linguagem mais acessível ao grande público e, ao mesmo tempo, perfeitamente fiel ao texto original latino. A Editora Vozes oferece uma edição enriquecida com comentários de São Francisco de Sales, escrita, assim como a da Paulus, em um português mais erudito.

A Imitação de Cristo é um livro para aqueles que querem buscar de fato uma intimidade com o Senhor. Vale a pena não só lê-lo, como deixa-lo sempre à mão. Trata-se de uma espiritualidade válida, especialmente nesse tempo em que a Igreja sofre com a mundanização. “A Imitação de Cristo” poderá, sem dúvida, ajudar a impedir a mundanização da Igreja e de cada cristão católico.

Aproveite, baixe o livro no link abaixo e tenha este clássico da espiritualidade católica sempre a mão:

Fontes: misericordia.org.br / bibliacatolica.com.br / catolicodigital.com.br


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