I. Prólogo da Regra do Carmo (1-3)

Saudação e Bênção

1. Alberto, pela graça de Deus, chamado a ser Patriarca da Igreja de Jerusalém, aos amados filhos em Cristo B. e demais eremitas que, sob a sua obediência, vivem junto à Fonte no Monte Carmelo, a Salvação no Senhor e a Bênção do Espírito Santo.

O rumo de vida no Carmelo: viver em obséquio de Jesus Cristo

2. Muitas vezes e de muitas maneiras os Santos Padres estabeleceram como cada um, qualquer que seja o estado de vida a que pertença ou qualquer que seja o modo de vida religiosa que tenha escolhido, deve viver em obséquio de Jesus Cristo e servi-lo fielmente com coração puro e consciência serena.

O projeto comum, próprio dos Carmelitas:

3. No entanto, como vocês nos pedem que, de acordo com o seu projeto, lhes apresen­temos uma forma de vida à qual, de agora em diante, devem manter-se fiéis:

II. A infraestrutura da vida comunitária (4-9)

O Prior e os Votos: assumir o projeto da Comunidade

4. Determinamos, em primeiro lugar que tenham um de vocês como prior, que seja eleito para este serviço através do consenso unânime de todos ou da parte mais numerosa e mais madura. A ele cada um dos outros prometa obediência e se empenhe em cumprir de verdade, na prática, o que prometeu, juntamente com a castidade e a renúncia à propriedade.

O Lugar de Moradia: preservar o deserto interior

5. No que se refere a lugares de moradia, vocês poderão tê-los em localidades solitárias ou onde lhes forem doados, desde que sejam apropriados e adequadas à opção de sua vida religiosa, de acordo com o que o prior e os irmãos, mediante discernimento, decidirem.

A Cela dos Frades: garantir o diálogo com Deus

6. Além disso, levando em consideração o conjunto do lugar que se propuseram como moradia, cada um de vocês tenha uma cela individual e separada, que lhe será indicada por disposição do próprio prior e com o consentimento dos outros irmãos ou da parte mais madura.

A Refeição em comum: aprofundar o convívio fraterno

7. De tal modo, porém, que, num refeitório comum, tomem o alimento que lhes for doado, ouvindo juntos alguma leitura da Sagrada Escritura, onde isto puder ser feito sem dificuldade.

A Estabilidade no Lugar: compromisso maior com a fraternidade

8. A nenhum irmão será permitido, a não ser com a licença do prior em exercício, mudar-se do lugar que lhe foi indicado ou trocá-lo com outro.

A Cela do Prior na entrada: acolher e encaminhar os visitantes

9. A cela do prior deve localizar-se junto da entrada do lugar, para que ele seja o primeiro a ir ao encontro dos que vierem a esse lugar; e, depois, todas as coisas que devem ser feitas aconteçam de acordo com o seu critério e a sua disposição.

III. Os pontos básicos do ideal da Vida Carmelitana (10-15)

Oração pessoal na cela: meditar na lei do Senhor e vigiar em orações

10. Permaneça cada um em sua cela ou na proximidade dela, meditando dia e noite na Lei do Senhor e vigiando em orações, a não ser que esteja ocupado em outros justificados afazeres.

Oração em comunidade: o Ofício Divino ou a reza do Pai Nosso

11. Os que sabem recitar as horas canônicas com os clérigos, as recitem conforme as disposições dos Santos Padres e segundo o costume aprovado da Igreja. Os que não o sabem, recitem vinte e cinco vezes o Pai Nosso nas vigílias noturnas, com exceção dos domingos e dias solenes, em cujas vigílias determinamos que se duplique o número mencionado, de modo que o Pai Nosso seja recitado cinquenta vezes. No louvor da manhã, porém, a mesma oração seja recitada sete vezes. Da mesma maneira, em cada uma das outras horas, a mesma oração seja recitada sete vezes, menos nas vésperas, em que devem recitá-la quinze vezes.

Opção pelos “menores” através da comunhão de bens 

12. Nenhum dos irmãos diga que algo é propriedade sua, mas tudo entre vocês seja comum, e seja distribuído a cada um pela mão do prior, quer dizer, pelo irmão por ele designado para este serviço, conforme ca­da qual estiver precisando, levando-se em consideração as idades e as necessidades de cada um.

No dia-a-dia da vida: mitigação em vista das necessidades

13. Contudo, na medida em que alguma necessidade de vocês o exigir, lhes é permitido possuir burros ou mulos, e algum tipo de animais ou de aves para criação.

Celebração diária: a memória de Jesus através da Eucaristia diária 

14. O oratório, de acordo com as possibi­lidades, seja construído no meio das celas, aonde, cada dia pela manhã, vocês devem reunir-se para participar da solenidade da Missa, quando as circunstâncias o permiti­rem.

Compromisso de todos: revisão semanal e correção fraterna

15. Da mesma maneira, nos domingos ou em outros dias caso for necessário, vocês de­vem tratar da observância na vida comum e do bem-estar espiritual das pessoas. Igualmente, nessa mesma ocasião, as transgressões e culpas dos irmãos, que por ventura forem encontradas em algum deles, sejam corrigidas mediante a caridade.

IV. Os meios para alcançar o ideal (16-21)

O jejum: santificar o tempo, desde a festa da Cruz até à Páscoa

16. O jejum, vocês o observem todos os dias, com exceção dos domingos, desde a festa da Exaltação da Santa Cruz até o Dia da Ressurreição do Senhor, a não ser que enfermidade ou debilidade do corpo ou outro justo motivo aconselhem dispensar o jejum, pois a necessidade não tem lei.

A abstinência de carne:  passar pelo nada para chegar ao tudo

17. Abstenham-se de comer carne, a não ser que seja tomada como remédio em caso de enfermidade ou debilidade. E visto que, durante as suas viagens, vocês se vêem obrigados com maior frequência a mendigar o seu sustento, para não incomodarem a quem os hospeda, fora de suas casas vocês poderão comer alimentos preparados com carne. Também será permitido comer carne em viagens marítimas.

A condição humana:  a fragilidade que pede resistência

18. Visto que a vida humana na terra é uma tentação, e todos os que querem viver fielmente em Cristo sofrem perseguição, e como o seu adversário, o diabo, rodeia por aí como um leão que ruge, espreitando a quem devorar, procurem, com toda a diligência, revestir-se da armadura de Deus, para que possam resistir às embosca­das do inimigo.

A luta da vida e as armas espirituais:  não desistir nunca

19. Os rins devem ser cingidos com o cíngulo da castidade, o peito protegido por pensamentos santos, pois está escrito: O pensamento santo te guardará. A couraça da justiça deve ser usada como veste, a fim de que vocês amem o Senhor com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças, e o próximo como a si mesmos. Sempre e em tudo deve ser empunhado o escudo da fé, com o qual possam apagar todas as flechas incendiárias do maligno, pois sem a fé é impossível agradar a Deus. O capacete da salvação deve ser colocado sobre a cabeça, para que esperem a salvação unicamente do Salvador, pois é ele que libertará o seu povo dos pecados. E que a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, habite abundantemente em sua boca e em seus corações, e tudo que vocês tiverem de fazer, seja lá o que for, que seja feito na Palavra do Senhor.

O trabalho: ocupar o tempo e providenciar o próprio sustento

20. Vocês devem fazer algum trabalho, para que o diabo sempre os encontre ocupados e não consiga, através da ociosidade de vocês, encontrar alguma brecha para penetrar em suas almas. Nisto vocês têm o ensinamento e o exemplo de São Paulo apóstolo, por cuja boca Cristo falava e que por Deus foi constituído e dado como pregador e mestre dos gen­tios na fé e na verdade. Se seguirem a ele, não poderão desviar-se. Ele escreve: Em meio a trabalhos e fadigas estivemos entre vocês, trabalhando dia e noite, para não sermos um peso para nenhum de vocês. Não que não tivéssemos esse direito, mas queríamos apresentar-nos como um exemplo a ser imitado. Com efeito, quando estávamos com vocês, demos esta regra: Quem não quiser trabalhar, também não coma! Ora, temos ouvido falar que entre vocês há alguns que levam uma vida irrequieta, sem fazer nada. A esses tais ordenamos e suplicamos no Senhor Jesus Cristo, que trabalhem em silêncio e, assim, comam seu próprio pão. Este caminho é santo e bom. É nele que devem andar!

A prática do silêncio: esvaziar-se para Deus e os irmãos

21. O apóstolo recomenda o silêncio, quan­do manda que é nele que se deve trabalhar. E como afirma o profeta: a justiça é culti­vada pelo silêncio. E ainda: no silêncio e na esperança estará a força de vocês. Por is­so, determinamos que, depois da recitação das completas, guardem o silêncio até de­pois da Hora Primeira do dia seguinte. Fora desse tempo, embora a observância do silêncio não seja tão rigorosa, com tanto mais cuidado abstenham-se do muito falar, porque, conforme está escrito e não menos ensina a experiência: No muito falar não faltará o pecado; e: Quem fala sem refletir sentirá um mal-estar; e ainda: Quem fala em demasia prejudica a sua alma; e o Senhor no Evangelho: De toda palavra inútil que os homens disserem, dela terão que prestar conta no dia do juízo. Portanto, cada um faça uma balança para as suas palavras e rédeas curtas para a sua boca, para que, de repente, não tropece e caia por causa da sua língua, numa queda sem cura que conduz à morte. Que, como diz o profeta, cada um vigie sua conduta para não pecar com a língua, e se empenhe, com diligência e prudência, em observar o silêncio pelo qual se cultiva a justiça.

V. Recomendações finais para uma convivência madura (22-23)

O prior como servidor dos irmãos 

22. Agora, você, irmão B., e quem quer que for indicado como Prior depois de você, tenham sempre em mente e cumpram na prática o que o Senhor diz no Evangelho: Todo aquele que entre vocês quiser tornar-se o maior, seja o seu servidor, e quem quiser ser o primeiro, seja o seu empre­gado.

O respeito dos irmãos para com o prior 

23. E vocês, os demais irmãos, tratem o seu prior com deferência e humildade, pe­sando, mais do que nele mesmo, em Cristo que o colocou acima de vocês, e que diz aos que estão à frente das igrejas: Quem ouve a vocês, é a mim que ouve; quem despreza a vocês, é a mim que despreza, a fim de que vocês não sejam condenados como réus por menosprezo, mas possam merecer por obediência a recompensa da vida eterna.

VI. Epílogo (24)

Discernimento, e opção dos pobres pelo Carmelo 

24. É isso que, com brevidade, lhes escrevemos com o intento de estabelecer para vocês a forma de conduta, segundo a qual deverão viver. Se alguém fizer mais do que o prescrito, o Senhor mesmo lhe retribuirá quando voltar. Use, porém, de discrição, que é a moderadora das virtudes.

Uma chave de leitura para a Regra do Carmo

1. Prólogo (Rc 1-3)

Rc 1:                  Saudação e Bênção

Rc 2:                  O rumo de vida para todos: viver em obséquio de Jesus Cristo

Rc 3:                  O projeto comum, próprio dos Carmelitas

2. A infraestrutura da vida comunitária (Rc 04-09)

Rc 4:                  O Prior e os Votos: assumir o projeto da Comunidade

Rc 5:                  O Lugar de Moradia: preservar o deserto interior

Rc 6:                  A Cela dos Frades: garantir o diálogo com Deus

Rc 7:                  A Refeição em comum: aprofundar o convívio fraterno

Rc 8:                  A Estabilidade no Lugar: assumir a forma de vida dos mendicantes

Rc 9:                  A Cela do Prior na entrada: acolher e encaminhar os visitantes

3. Os pontos básicos do ideal da Vida Carmelitana (Rc 10-15)

Rc 10:                Na cela: meditar dia e noite na lei do Senhor e vigiar em orações

Rc 11:                Em comunidade: o Ofício Divino ou a reza do Pai Nosso

Rc 12:                Na vida: opção do Carmelo pelos “menores” através da comunhão de bens 

Rc 13:                No dia-a-dia: mitigação em vista das necessidades

Rc 14:                Na capela: a memória de Jesus através da Eucaristia diária 

Rc 15:                Compromisso de todos: revisão semanal e correção fraterna

4. Os meios para alcançar o ideal (Rc 16-21)

Rc 16:                O jejum: santificar o tempo, desde a festa da Cruz até à Páscoa

Rc 17:                A abstinência de carne:  passar pelo nada para chegar ao tudo

Rc 18:                A condição humana:  a fragilidade que pede resistência

Rc 19:                A luta da vida e as armas espirituais:  não desistir nunca

Rc 20:                O trabalho: ocupar o tempo e providenciar o próprio sustento

Rc 21:                A prática do silêncio: esvaziar-se para Deus e os irmãos

5. Recomendações finais para uma convivência madura (Rc 22-23)

Rc 22:                O prior como servidor dos irmãos 

Rc 23:                O respeito dos irmãos para com o prior 

6. Epílogo (Rc 24)

Rc 24:                Discernimento, e opção dos pobres pelo Carmelo

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