Tópicos Carmelitas

TÓPICO 1

A regra de Santo Alberto

Em geral, uma regra é um conjunto de normas que rege a vida de uma instituição. A Regra Carmelita, ou Regra de Santo Alberto, é um documento construído com as normas da vida escritas pelo Patriarca de Jerusalém entre 1206 e 2014. Essas normas foram seguidas pelos primeiros carmelitas e pelas comunidades que os seguiam na Terra Santa. O texto foi aprovado como Regra Carmelita pelo Papa Inocêncio IV quarenta anos depois. Foi escrito em forma de carta, de forma muito sucinta, sem subdivisões nem capítulos; está redigida numa linguagem jurídica, espiritual e exortatória. Posteriormente, foi dividido em um prólogo, dezoito (18) capítulos e a conclusão. Alguns estudos mais recentes sobre a Regra a dividem em três secções interconectadas.

Esquema para estudo:

– A infraestrutura (base) da vida comunitária (parágrafos 4 a 6)

– A escolha democrática do prior (4)

– Áreas de convivência (5)

– As celas dos irmãos (6)

– O refeitório comunitário (7)

– Proibição de mudar-se para outra cela sem a permissão do prior (8)

– Localização da cela do prior na entrada do convento (9)

– O ideal, espírito ou objetivo a ser alcançado (10 a 15)

– Oração pessoal constante, contemplando a Palavra de Deus (10)

– Oração litúrgica e pública (11) – Comunhão de bens e pobreza (12)

– A Eucaristia, centro da vida comunitária (13)

– Revisão de vida e correção fraterna (14)

– Os sentidos com os quais concluir o ideal (16 a 23)

– Jejum (16) – Abstinência de carne (17)

– A luta e as armas espirituais (18-19)

– Trabalho (20) – Silêncio (21)

– O prior deve ser um servo (22)

– Os irmãos devem ver no culto a figura de Cristo (23)

– Conclusão (24).

Jesus diz que a fé dos carmelitas é generosa e Ele recompensará quando voltar de novo.

Para alguns autores, os parágrafos de 10 a 15 contêm o núcleo da Regra Carmelitana, e é neles que a Igreja dos primeiros tempos está expressa (Atos 2, 42-47; 4, 32-34). Estão descritos em cinco valores na Regra:

Fidelidade a Palavra de Deus: parágrafos 7, 11, 18, 19, 22 da Regra. Atos 2,42.

Perseverança na oração: parágrafos 10 e 11 da Regra. Atos 1, 14; 2, 42; 4, 24-32.

Comunhão de bens: parágrafos 7, 12 e 11 da Regra. Atos 2, 44-45; 4, 32-35; 6 3.

União fraterna: parágrafos 15 da Regra. Atos 2, 42, 44, 46; 4,32.

A centralidade da adoração diária no templo, lugar da misteriosa presença do Senhor: parágrafos 11 e 15 da Regra e Atos 2, 46 e 5, 12. Essa centralidade evoca o simbolismo profético da localização de Jerusalém no meio do povo, como a presença de Deus no meio do seu povo.

A Regra Carmelitana contém um bom número de citações de São Paulo Apóstolo, como norma e exemplo para a vida dos carmelitas. “Nesse assunto tendes não só ao ensinamento e exemplo do bem-aventurado apóstolo Paulo; Cristo falou pela boca dele; foi enviado por Deus, que fez dele pregador e mestre das nações na fé e na verdade. “Se o seguirdes, não cometereis erros”. Para os carmelitas leigos, é importante saber que a Regra de Santo Alberto serviu de base para a elaboração da Regra própria da Ordem Terceira. Os padres, as monjas e as irmãs obedecem a Regra Carmelita.

Referências:

Emanoele Boaga – Como pedras vivas;

Carlo Cicconetti – The History of Rule;

Carlos Mesters – A Regra do Carmo;

Carlos Mesters – Ao redor da fonte. Círculos de oração e de meditação em torno da Regra do Carmo.

Bruno Secondin – What is the heart of the Rule?

TÓPICO 2

O Carisma da Ordem

O Carisma do Carmelo baseia-se em três colunas: oração, fraternidade e missão profética no Mundo. Esses são os três pilares que sustentam a espiritualidade carmelitana.

1.Oração

Todo ser humano sente necessidade de comunicar-se com em Ser superior, com o Absoluto.

Por conseguinte, é encontrada em qualquer religião deísta como um ato fundamental da vida religiosa. É um processo inerente à vida espiritual. A oração pode ser definida como um diálogo, um relacionamento íntimo entre a pessoa que reza e Deus. Requer um grande pacto de amor, abandono (no sentido de total entrega de si mesmo), abertura para a graça divina e de reserva de tempo e espaço para dedicar ao Senhor.

Jesus Cristo vive em nós pela ação do Espírito Santo, fazendo sua a nossa oração, introduzindo-nos no mistério do Pai. A Santíssima Trindade está presente em nossa oração; por isso,” a oração cristã é trinitária, cristiforme e filial”. Santa Teresa de Jesus, falando de oração, disse “perdendo tempo para estar a sós com quem sabemos que nos ama.”, revelando-nos sua intimidade que emana das pessoas imersas em oração. “Para muitos, o Carmelo é sinônimo de oração, contemplação, intimidade com Deus”. De acordo com a Regra, espera-se que “meditem dia e noite na Palavra do Senhor e permaneçam vigilantes em oração.” Coerentes com essa linha de pensamento, é como se orar fizesse parte integral da consciência da vida do carmelita.

A fonte primária de inspiração para a oração é o próprio Jesus, que, na sua vida terrena, durante seu apostolado, subia às montanhas e rezava sozinho. Maria também nos conduza a orar e a ser fiéis à Palavra que inspirou a vida apostólica na primeira comunidade cristã. Elias é apresentado como paradigma de oração. É inteiramente possuído por Deus, unido a Ele de tal forma que Deus está com Elias quando ele fala, face a face, na montanha; e permanece com ele nas atividades sociais e políticas.

2. Fraternidade

Os carmelitas, inspirados pela primitiva comunidade cristã citada por Lucas nos Atos dos Apóstolos, vivem a fraternidade na união, partilhando a vida uns dos outros. No mundo do Carmelo, a fraternidade é vista como fundamento e o núcleo do carisma carmelitano, em harmonia com outras duas dimensões: oração e missão profética no mundo. A Regra de Santo Alberto forneceu orientações sore a fraternidade que continuam válidas até hoje e também encontraram expressão até na Ordem Terceira do Carmo.

A fraternidade requer uma boa base teológica que é encontrada na Palavra de Deus e na Eucaristia e ajuda a enfrentar várias dificuldades. Esta Palavra é meditada, celebrada e praticada. Ao lado da Eucaristia, a Palavra dá ao carmelita leigo uma sólida base para seus valores e, ao mesmo tempo, o mantém receptivo para o outro. É um processo dinâmico, experienciado dia após dia. Esse dinamismo da fraternidade é conduzido pelo relacionamento e integridade entre o indivíduo e a comunidade. As pessoas se unem na comunidade para criar bem comum. Como resultado, elas ganham maturidade e a comunidade ganha qualidade de vida.

A fraternidade capacita a vencer o egoísmo; é também uma resposta para a falta de amor no mundo e, se for genuíno, deveria ser colocado a serviço de todos. Deveria como o fermento, fazer a comunidade crescer na sensibilidade do Reino; deveria dar prioridade à pessoa como um todo no desejo de justiça e paz e à fé, no mistério da vida.

Para que isso ocorra, é necessário viver verdadeiramente a fraternidade nas comunidades, e não permitir que o peso do trabalho domine, o que causará dispersão e perda de tempo para o diálogo, revisão de vida e oração comunitária. 

3. Missão Profética

A natureza profética do Carmelo nos foi transmitida como herança pelas figuras inspiradoras de Elias e Maria e consiste, acima de tudo, no testemunho, no serviço e na batalha. A base de uma comunidade profética é dada por esse triplico caráter da ação profética.

O testemunho profético é a forma mais verdadeira e sublime de transmitir e de mostrar o que acontece realmente, em palavras, sentimentos ou ações.

O serviço apostólico, herança de Cristo, nos dá a certeza de que o trabalho que fazemos é a continuação do Reino de Deus.

A natureza de nosso carisma só se pode realizar através dessas três habilidades. Como “descendentes de profetas”, os carmelitas leigos precisam se conscientizar dos problemas do mundo em que vivem e das injustiças presentes na espécie humana, que dividem ricos e pobres e valorizam principalmente o dinheiro, a fama e o prestigio. Espera-se que os carmelitas leigos defendam os valores cristãos especialmente o respeito por todo ser humano. Nesta missão profética, a escolha é para com os pobres e os marginalizados, para os menores, vendo neles a imagem viva de Deus. Isso os leva cada vez mais para a promoção da justiça e da paz.

Referências:

Relatos de um pequenino russo – (autor anônimo)

Richard Back – Fernão Capelo Gaivota

Instituto de Espiritualidade Tito Brandsma – curso prático de espiritualidade à distância

Patrício Sciadini, OCD – Catecismo da oração

Emanoele Boaga – como pedras vivas

TÓPICO 3

Abertura para a dimensão contemplativa

Há de se desenvolver mais profundamente a oração pessoal, é necessário ouvir. É preciso atingir o silêncio exterior e interior: o silêncio fora de nós, mas, sobretudo, dentro de nós, para ouvir a vós do Senhor. Ouvir a Palavra só pode acontecer quando a alma está em silêncio.

Oração é uma descoberta gradativa, a experiência viva de que Deus nos ama. O caminho da oração rapidamente abre-se para aqueles que se sentirem amados por Deus. Santa Teresa D’ávila disse “a elevação da alma é atingida não por muito pensar, mas por muito amar”. O amor nasce da contemplação da pessoa amada e leva-nos a responder nos mesmos termos com que Ele se dirige a nós. Deixando de lado os padrões temporários, pode-se dizer que a oração é a transformação mística da pessoa humana que leva à união com Jesus e a abraçar o segredo da vida na Santíssima Trindade como ponto culminante.

Na oração contemplativa, há uma experiência íntima de amor, na qual a atividade humana (falar, pensar, agir) é transformada em passividade: já não é a pessoa quem fala, é Deus que fala nela. Esse processo acontece por força da graça divina, pois tudo depende de Deus, pois Ele dá Sua graça quando, como e a quem quer. É um processo contínuo, em que os seres humanos vão sendo aperfeiçoados e chegam passo a passo a experienciar o seu céu na Terra, a descobrirem a si mesmos e a própria insignificância; vão semeando as sementes de paz por onde passam e deixam fluir o amor fraternal que os inspira para a Missão.

Referências:

Frank X. Tuoti – Por que não ser místico? Um convite irresistível para experimentar a presença de Deus.

TÓPICO 4

Palavra – Eucaristia – Partilha

1. Palavra

A Bíblia é a Palavra de Deus, escrita na história do homem. Os cristãos fundamentam sua fé na revelação de Deus ao antigo povo judeu. Essa revelação atingiu a plenitude de Jesus Cristo. “Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nosso pais, pelos profetas. Neste dia, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual criou o Universo.” (Hebreus 1, 1-2).

O passado, o presente e o futuro são iluminados pela luz de Cristo, e os cristãos entendem a mensagem da Bíblia nessa luz, hoje. Cristo está no centro da história. O povo de Deus percorreu o caminho do Antigo Testamento, chegando à etapa final com a Ressurreição de Cristo; por conseguinte, os carmelitas leigos precisam estar familiarizados com o Antigo e o Novo Testamento e aprenderem o caminho da libertação em Jesus Cristo.

Deus, gradativamente, vem desenvolvendo seu plano salvífico pelos séculos afora, culminando com o anúncio da Boa Nova – o Evangelho – dirigida a todos os povos. Jesus proclama o amor do Pai dado livremente a toda a humanidade, sem excluir ninguém. Deus estava presente na história do Seu povo como Salvador e libertador, exatamente como está presente hoje, agindo como salvador e libertador em nossa vida.

2. Eucaristia

A Eucaristia “é a fonte e o ápice de toda a vida cristã” (123). Também é chamada “Santa Comunhão”, pois, através desse sacramento, nos unimos a Cristo, que está presente em substância, aos outros fiéis e com a liturgia celeste, antecipando a vida eterna. A Eucaristia intensifica a graça batismal e fazendo-a crescer. É o mais sublime dos sacramentos, para o qual os outros convergem, a mais plena presença de Cristo na humanidade (124, 125).

Para que a alma entre em íntimo contato com Cristo, é preciso já estar na graça de Deus – e, pela comunhão, a graça é mantida, revitalizada, intensificada, trazendo uma profunda e divina alegria. Assim, a comunhão nos faz crescer em santidade e em união com Deus. O catolicismo da Igreja Católica traz uma síntese efetiva: “Os que recebem a Eucaristia estão unidos mais intensivamente a Cristo. Por isso mesmo, os uni a todos os fiéis em um só corpo, a Igreja” (NT-3).

Uma vez que ela contém o verdadeiro amor da graça, a Eucaristia está apta a aumentar a graça santificante, pois a graça é o mais importante fruto da Eucaristia, a união intima com Jesus Cristo. “A Eucaristia cristifica inteiramente, unindo a pessoa com a plenitude de Jesus Cristo.” (São Cirilo de Jerusalém). A presença de Jesus na Eucaristia é real, e este é um dogma da fé (Concílio de Trento). A transubstanciação é a transformação do pão no corpo e do vinho no sangue de Jesus Cristo, pela Consagração no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

A doutrina tradicional está firmemente energizada nos textos de Paulo, particularmente na Primeira Carta aos Coríntios, em que ele fala de “Koinonia”, isto é, comunhão, que acontece entre o fiel e o Cristo na Eucaristia. O cálice da benção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?

(I Coríntios 10, 16). Esta união está descrita mais claramente no Evangelho de João como uma relação extraordinária de “inferioridade reciproca”, “Ele em mim e eu Nele”. De fato, Jesus declarou na sinagoga de Cafarnaum: “Quem se alimenta com a minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim e eu, nele.” (João 6, 56).

3. Partilha

A Regra do Carmo, nos parágrafos 12 e 13, fala da comunhão de bens e da partilha que deveria acontecer entre os carmelitas leigos de acordo com as necessidades de cada um. Esse era o ideal dos primeiros cristãos a Igreja primitiva, conforme Lucas descreve em Atos 2, 42 e, também, dos primeiros carmelitas no Monte Carmelo. Também Jesus nos ensina a aspirar esse ideal (Mateus 6, 25-34).

A Regra de Santo Alberto, imitando os primeiros cristãos, convida a uma solidariedade maior na família, na comunidade e em toda a humanidade, para prevenir a fome e a exclusão.

Os membros da Ordem Terceira não fazem votos de pobreza (como fazem os frades, as monjas e os religiosos), porém, têm na mente que Jesus escolheu os pobres e os excluídos, e buscam segui-lo e imitá-lo, sabendo que aqueles que partilham seus bens serão libertados da vaidade, do egoísmo e da concupiscência, e se voltarão para o próximo com uma ajuda fraterna.

Os carmelitas são estimulados a partilhar não seus bens materiais, mas suas riquezas espirituais que recebem durante a vida. Embora as recebem de Deus, elas não pertencem a eles particularmente, mas a todos os irmãos e irmãs, sem distinção de etnia, religião, classe social, etc.

Na Santa Missa, Jesus Cristo se dá a si mesmo totalmente, oferecendo a si mesmo como sacrifício perfeito ao Pai para redimir a humanidade. Nele está a partilha da Palavra do Corpo e do Sangue de Cristo. Quando as pessoas retornam a casa (após a missa), levando consigo o Reino de Deus, deveriam partilhá-lo com a família, com seus colegas de trabalho, com irmãos e irmãs na Ordem, na sociedade, na Igreja e com todos, sem distinção.

Referências:

Novo Catecismo da Igreja Católica

Regra de Santo Alberto

TÓPICO 5

Liturgia das Horas e Oração pessoal

1. Liturgia das Horas

A liturgia das Horas, também conhecida como ofício Divino, é a oração oficial pública e comunitária da Igreja Católica. A palavra ofício deriva do latim “opus”, que significa “trabalho”. Essa oração dá a oportunidade de reservar um momento para buscar harmonia com Deus. Ela acontece em diversos momentos durante o dia; compõe-se Salmos e hinos, a leitura de uma passagem bíblica e oferecimento de preces a Deus. Por meio dessa oração, a Igreja procura preencher o ensino de Cristo para rezar incessantemente, louvando a Deus e pedindo por si mesmo e por toda a humanidade.

“A liturgia dos Horas, como as demais ações litúrgicas, não é ação particular, mas algo que pertence a todo o corpo da Igreja, cuja vida ela manifesta e atinge.” (126, 127). Por isso, a Igreja recomenda que seja celebrada comunitariamente uma vez que expressa melhor sua essência intrínseca. Sempre que possível, a celebração comunitária é preferível. Contudo, a celebração individual é uma parte da celebração da Igreja como um todo.

A igreja exorta a todos para participar dela seja comunitária, seja individualmente. O clero é instado a celebrar a Liturgia das Horas, pois esta função, que é a de toda a Igreja, é realizada pelo mesmo de forma que a Igreja possa acontecer sem interrupção.

O costume cristão de rezar regularmente em diversos momentos do dia tem suas origens na tradição judaica. Os horários em que a Liturgia das Horas é rezada foram pouco a pouco estabelecidos, mas mudaram ao longo do tempo; as principais são Laudes e Vésperas. “Segundo uma venerável tradição de toda a Igreja, as Laudes, como orações da manhã, e as Vésperas, como orações da tarde, constituem os dois polos do ofício cotidiano. Sejam consideradas como as horas principais e como tais sejam celebradas.” (NT-4). Seguem-se em importância o oficio das Leituras, e depois, enfim, as Horas Médias e as Completas. No começo da primeira hora litúrgica do dia, sejam as Laudes ou o ofício das Leituras, é costume rezar o Invitatório, que serve de introdução para as orações do dia inteiro.

Laudes – a oração da manhã, destinada à consagração do dia a Deus. Faz memória da Ressurreição de Jesus Cristo, que está associada ao amanhecer.

Vésperas – a oração da tarde, ao pôr do sol. Tem por objetivo dar graças pelo dia. Faz memória da morte de Cristo e da Última Ceia.

Ofício das Leituras – antigamente celebrado ao alvorecer, esta oração pode ser feita a qualquer hora do dia e consiste principalmente numa leitura extensa da Bíblia e um texto patrístico ou hagiográfico ou ainda do Magistério da Igreja.

Horas Médias – nome recente dado às três horas conhecidas como horas menores em razão de sua menor importância com relação às outras horas litúrgicas.

Completas – a última e mais curta das orações do dia, celebrada antes de deitar-se.

2 Oração pessoal

O próprio Jesus nos aconselha a irmos para nosso quarto e, em silêncio e intimidade, rezar ao Pai. Quem ama gosta de estar perto e de conversar com quem ele/ela ama. Na tradição carmelita, orar consiste em fazer todo o possível para que Jesus esteja presente dentro de nós. Precisamos deixar que o Espírito Santo reze em nós, abrindo-nos à interioridade e ao diálogo com a Santíssima Trindade; entrar em contato com quem nos atrai para si. É preciso que perseveremos na oração pessoal, buscando manter sempre a mesma hora e lugar. E preciso que Cristo seja o centro de nossa vida. Apaixonar-se por Jesus é fundamental para perseverar na oração e para tornar mais intenso nosso relacionamento numa troca de pensamentos, afetos e desejos. No Carmelo, a oração pessoal compreende diversos métodos, tais como a Lectio Divina, a Liturgia das Horas, a contemplação, a oração aspirativa, a oração da presença de Deus e a meditação.

Oração aspirativa – aspiramos a Deus buscando-o primeiramente nas coisas visíveis a nós, porém pouco a pouco, evoluindo até estarmos a sós com a verdade essencial no ímpeto da vontade. O legado desta oração nos foi deixado pelo Irmão João de São Sansão. É uma oração afetuosa, passada de coração para coração, amorosamente, podendo ser repetida inúmeras vezes por dia. São como flechas de amor enviadas a Deus pela pessoa orante.

Oração da presença de Deus – esta oração é a adoração a Deus, em qualquer lugar, em espirito e verdade, sem recorrer a nenhuma forma particular de adoração. E um método fácil, acessível a todos. Orar na presença de Deus consegue descobrir o Senhor em todos os momentos da vida. Consiste em contemplar a Deus com um olhar amoroso, em estar em comunhão com Ele, particularmente nas atitudes, pensamentos e meditações. Tudo que é feito deveria ser feito em Sua honra e glória. Nas primeiras vezes, esta forma de oração exige esforço, mas aos poucos torna-se natural; Deus opera na pessoa orante.

Oração mental – é a oração interior, silenciosa, em que a alma se eleva em direção a Deus por meio do esforço espiritual, espontâneo ansiado. Nesse momento, a pessoa orante é libertada do alvoroço do mundo, que cessa por alguns instantes. Tudo se torna espiritual, sem a distração das palavras. Toda esta oração depende do aparato das exterioridades para rezar na pureza do espírito. Meditação – é acima de tudo, uma indagação. É uma forma de atenção em progresso, ou um estudo filosófico/científico, mesmo que sua meta seja orar. Busca entender o porquê da vida cristã, a resposta ao que Deus pede. A meditação age por intermédio do pensamento, da imaginação, da emoção e do desejo, tornando mais firmes as convicções da fé, fomentando a conversão do coração e fortalecendo o desejo de seguir a Cristo.

Liturgia das Horas – (quando rezada individualmente) Lectio Divina e a contemplação são outras formas de oração pessoal importantes na vida diária do carmelita leigo.

Referências:

Liturgia das Horas

Curso a distância de espiritualidade carmelita – Instituto de Espiritualidade Tito Brandsma

Fr. Carlos Mesters – Fazer arder o coração. Reflexões para uma leitura orante da Bíblia

TÓPICO 6

Lectio divina

A Lectio Divina é uma antiga forma de oração que através da história, animou o povo da Igreja, alimentando-o na fé. É a leitura orante da Palavra de Deus. No século XII, anos de 1150, um monge chamado Guigo dividiu a Lectio Divina em quatro etapas no seu livro “A escada dos Monges”. Assim escreveu o monge: “Um dia, quando estava no duro trabalho, pensando no trabalho espiritual necessário para os servos de Deus, vieram à minha mente quatro trabalhos espirituais. São eles: leitura, meditação, oração e contemplação. Essa é a escada para os que estão nas clausuras, por meio da qual podem escalar da terra ao céu. É uma escada maravilhosamente alta, mas com apenas quatro degraus, uma extremidade apoiada no solo, a outra chegando as nuvens e mostrando ao escalador segredos celestiais. Sobre os degraus, Guigo escreveu: “A leitura é um olhar cuidadoso sobre a Sagrada Escritura com vontade e inteligência. Meditação é um estudioso à procura com a mente para saber o que antes estava oculto, desejando uma habilidade adequada. Oração é um devoto desejando de coração conseguir o que é bom e evitar o que é mau. Contemplação é a elevação do coração a Deus, sobretudo as doçuras e as delícias celestiais.”. Assim descreveu Guigo os quatro degraus, resumindo a tradição e transformando-a em instrumento de formação para os jovens que estão começando a vida monástica. A Lectio Divina é uma oração dinâmica; suas diferentes etapas estão interconectadas, e cada uma aparece na hora apropriada.

Leitura: conhecimento, contextualização, respeito. Este é o primeiro passo para o conhecimento amoroso da Palavra de Deus: só se pode amar a que se conhece. A leitura deve acontecer de forma extensiva e repetida a fim de estabelecer o sentido do texto à luz do Reino e o bem do povo. O objetivo da leitura é examinar e estudar o texto, e refletir um aspecto de nossa própria existência. Responde à pergunta: “O que o texto diz?”. Quando percebemos que a Palavra de Deus está procurando nos transmitir algo, é tempo de avançarmos para o segundo passo, a meditação.

Meditação: ruminar, atualizar, dialogar. A meditação intensifica a dimensão pessoal da Palavra de Deus. Na bíblia, a Palavra é dita por Deus a nós com grande amor, despertando forças, liberando energias, renovando as pessoas. Meditar responde à pergunta: “O que Deus, por meio deste texto, tem para me (nos) dizer hoje?”. Precisamos refletir sobre o texto, deixando que ele nos fale. Embora tenha sido escrito noutra época, o texto sempre tem alguma coisa para nos dizer. Guigo nos aconselha a usar a mente e a razão em meditação para descobrir a “verdade escondida”. O monge nos exorta a entrar em diálogo com Deus, fazendo perguntas, usando nossa razão, buscando trazer o texto para o horizonte de nossa vida, Meditar é refletir e interagir com as semelhanças e diferenças entre a situação do texto e a de hoje.

Outro modo de meditar é ruminar o texto, mastigando-o. É o que está no Salmo 1,2: “…na lei do Senhor encontra sua alegria e nela medita dia e noite.”. Descobrindo o sentido do texto, podemos resumir o texto inteiro numa única frase, levando-a conosco na lembrança, repetindo-a frequentemente durante o dia até que ela se una a nosso ser. Por essa reflexão, a Palavra penetra em nós como uma espada de dois gumes (Hebreus 4,12), antecipando nossas disposições e as intenções de nosso coração, não ficando nenhuma criatura oculta de sua presença.

Oração: resposta. Neste terceiro passo, respondemos a Deus: “O que este texto me (nos) leva a dizer a Deus?” A oração precisa começar num momento de silêncio, em que o Espírito Santo venha a nossa presença e reze por nós (Romanos 8, 26). Dependendo da leitura e da meditação, a oração pode assumir a forma de ação de graças, súplica, glorificação, perdão, etc. É agora que se cria o espaço para a Palavra chegar e agir em nossa vida. A oração traça o itinerário de todos os que estão no caminho para Deus, procurando esvaziar-se a si mesmo e fazer de si uma morada para Deus, seu irmão e irmã, sua comunidade, para o pobre. É aqui que as “noites escuras” e os “desertos” acontecem e precisam ser enfrentados com a luz da Palavra de Deus.

Contemplação: ver, saborear, agir. O último degrau da Lectio Divina, o porto de chegada e também o efetivo recomeço para aqueles que desejam avançar no entendimento da Palavra de Deus. Santo Agostinho disse que, pela leitura da Bíblia, Deus nos garante a contemplação como uma graça que nos ajuda nesse entendimento do mundo – a teofania de Deus. Assim, a contemplação nos traz à experiência de Deus em nossa vida. A Lectio Divina ajuda-nos a criar a atitude daqueles que mergulham nos fatos para descobrir e saborear neles a ativa e salvífica presença de transformação trabalhada pela Palavra na história. A contemplação não só medita sobre a mensagem, mas também a preenche: não é apenas ouvi-la, mas sim pô-la em prática. Não devemos estes dois aspectos: dizer e fazer, ensinar e animar, iluminar e fortalecer. A contemplação termina no ponto de partida para um novo começo.

Referências: Fr. Carlos Mesters – Fazer arder o coração. Reflexões sobre a leitura orante da Bíblia.

Conferência dos Religiosos do Brasil – a cultura orante da Bíblia

TÓPICO 7

AS GRANDES FIGURAS DO CARMELO

1. Maria (Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho)

Os primeiros eremitas que viveram no Monte Carmelo dedicaram a vida ao seguimento de Jesus Cristo sob a poderosa proteção da Virgem Mãe de Deus. Construíram no meio das celas, uma capela dedicada a Santa Maria do Monte Carmelo—representava a presença de Maria nesse lugar, porém, igualmente “apontando para o centro”, afirmando a centralidade de Cristo na vida deles. Assim, seguiram o Senhor, de quem Maria foi a primeira fiel seguidora e discípula.

A primeira figura da Virgem Maria do Monte Carmelo foi La Bruna, inspirada em Eleusa, a Virgem da Ternura, um ícone que busca exprimir a ternura plenamente humana de Maria. Data do século XIII e está guardada na igreja de Nossa Senhora do Monte Carmelo, em Nápoles, na Itália. O ícone demonstra uma profunda intimidade e uma atitude de imensa ternura entre Mãe e Filho, com seus rostos tocando-se num abraço afetuoso que interpretamos por meio de suas mãos. Em Maria, encontramos uma “estrela-cometa” claramente visível acima dos ombros dela, simbolizando sua tradicional virgindade… o véu azul indica sua divina maternidade, e o vermelho, abaixo do azul e envolvendo uma parte de Jesus criança, representa o amor dela por ele. A iconografia, como um todo, proclama a realidade do mistério de Deus; nela, os carmelitas reconhecem sua pertença à Virgem Maria, e sentem-se afetuosamente confortados em seus braços.

Seguindo a Cristo hoje, os carmelitas leigos são convidados a levar uma “vida como Maria”, pois guiados pelo Irmão Miguel de Santo Agostinho no seu Tratado da Vida de Maria, isto é, são convidados a seguir a Cristo como fez a mãe dele, a Virgem Maria: ela que escuta e contempla, que preserva a palavra e medita, a fiel discípula que educa e inspira na fé. É buscando intimidade com a mãe de Deus que os carmelitas aprendem e vivem seu obsequio a Cristo, comprometendo-se, como ela, a partilhar as dificuldades e a caminhada necessária lado a lado dos irmãos e irmãs mais necessitados, que precisam, acima de tudo, do amor fraterno e do serviço mútuo.

Essa é a tarefa dos carmelitas: manter um olhar observador e constante sobre a história e as Fontes da Inspiração, vocação deles a fim de se manterem fiéis ao chamado de Deus, para ver os sinais dos tempos e viver as necessidades do aqui e do agora.

Caminhada de Maria:

• Maria visita Isabel (Lucas 2, 22-40)

• Magnificat (Lucas 1, 46-55)

• Nascimento de Jesus (Lucas 2, 1 -2!)

• Adoração dos Magos (Mateus, 2, 1-12)

• Apresentação de Jesus no Templo (Lucas 2, 22-40)

• Fuga para o Egito (Mateus 2, 13-15)

• Retorno a Nazaré (Mateus 2, 19-2 i) ”

• Jesus aos doze anos (Lucas 2, 41 -‘-2)

• A mãe e os irmãos de Jesus (Mateus 12, 46-50; Marcos 3, 31-35)

• As bodas de Caná (João 2, 1-12)

• Maria e João ao lado da cruz (João 19, 25-27)

• Maria e os discípulos no cenáculo (Atos 1, 12-14)

• A descida do Espírito Santo (2, 1-13)

5. Elias (20 de julho)

O profeta do fogo, que fala intimamente com Deus, sempre pronto para servi-lo até mesmo sem perguntar por quê. Por serem infiéis à Aliança, Elias desafiou reis e matou os profetas de Baal. Era forte e não tinha medo em suas ações, porém, às vezes, demonstrava fraqueza e medo, com se pode ver na fuga para o deserto por medo de Jezabel. Sensível e amoroso para com Deus, exclama “Vivo e Verdadeiro é o senhor, em cuja presença estou” e “Estou ardendo de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos (1 Reis 19, 10 e 14).

Elias aparece na Bíblia como o grande profeta de Deus, que vive na sua presença e, inflamado de zelo divino, luta para adorar o único Deus verdadeiro. Ele não questiona o Deus que constantemente o chama; está sempre pronto a servir e obedecer a Deus. No Monte Carmelo, Elias combate os sacerdotes de Baal demonstrando que o seu Deus é o único verdadeiro, testemunhando ao povo que Javé permanece no meio deles. No monte Horeb, Elias tem a experiência de Deus, quando o percebe na ” brisa leve”. Na vinha de Nabot, o profeta age em defesa do fraco.

No século XII, os primeiros eremitas, por terem ouvido o chamado de Deus, foram para o Monte Carmelo e começaram um novo modo de vida. Foi em virtude desse modo de vida, que a espiritualidade carmelitana surgiu, inspirada pelas figuras bíblicas de Elias e Maria. Os primeiros eremitas viviam em celas próximo à Fonte de Elias, no Monte Carmelo. A Fonte é o sinal de Elias; fixaram suas raízes no solo fértil em que Elias testemunhou que o Senhor era seu único Deus e a única fonte de vida; eles liberaram da água que jorrava da fonte e, aos poucos, absorveram todo o legado de Elias.

Viver no Monte Carmelo significa viver na presença de Deus, no espírito e pode de Elias. Numa perspectiva moderna, olhando a figura de Elias contemplativamente, no contexto das injustiças do mundo, os carmelitas leigos são chamados a tomar uma atitude em defesa da vida denunciando essas injustiças com vigoroso zelo pelo Deus dos oprimidos, experienciando a presença dele e propondo novos caminhos, semeados de justiça e amor, para nossos irmãos e irmãs que estão ultrajados e humilhados.

Jornada do Profeta Elias

1. O profeta Elias atravessa o Jordão e chega ao Carit (1 Reis 17, 3)

2. Deixa o Carit e vai para Sarepta, à casa da viúva (1 Reis 17, 7-24)

3. Vai apresentar-se ao rei Acab (1 Reis 18, 2-15)

4. Vai para o deserto, onde se deita desalentado (I Reis 19, 4)

5. Vai para o Monte Horeb (1 Reis 19, 1-18)

6. Deixa a gruta e fica de pé na presença de Deus (1 Reis 19, 19)

7. Desce do Monte Horeb e unge Eliseu como profeta (1 Reis 19, 19)

8. Encontra Acab na vinha de Nabot (1 Reis 21, 19)

9. Vai ao encontro do mensageiro do rei (2 Reis 1, 4)

10. Vai a Betei com Eliseu (2 Reis 2, 2)

11. Vai a Jericó (2 Reis 2, 4)

12. Vai a Jordão (2 Reis 2, 6)

13. Elias é arrebatado numa carruagem de fogo (2 Reis 2, 11)

Referências:

• Miguel de Santo Agostinho. Tratado sobre a vida de Maria.

• Emanuele Boaga. A fonte de Elias: O profeta na história e na vida do Carmelo (Revista do Carmelo Lusitana 13).

• Emanuele Boaga. Como pedras vivas.

• Emanuele Boaga. The lady of the place (A Senhora do lugar) IETB.

• Emanuele Boaga. La statua di S. Elia Profeta nella Basílica Vaticana. Roma: Institutum Carmelitanum.

• Joseph Chalmers. O som do silêncio. Escutando a Palavra de Deus com o profeta Elias.

• Kilian Healy. Prophet of fire (Profeta do Fogo).

• 1ETB – Curso de espiritualidade carmelitana a distância.

• Rafael M. Lopes Melus. El profeta San Elias: Padre espiritual dei Carmelo.

• Fr. Carlos Mesters. O Profeta Elias, inspiração para hoje.

• Fr. Carlos Mesters. Camminar ala presenza dei Signore nello Spirito e nella forza di Elia.

• Fr Carlos Mesters e Gruen, Wolfgang. O profeta Elias: Homem de Deus, homem do povo. São Paulo; Paulinas, 1987

• Vários autores: “…they will call me blessed” (…eles me chamarão bem-aventurado).

• Documentos da Ordem.

• Return to the Sources (Retorno às Fontes). Quinto conselho das Províncias.

• O Livro dos Primeiros Monges.

• Constituições da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

UMA SELEÇÃO DOS SANTOS CARMELITAS

1. São Simão Stock (16 de maio)

Nasceu na Inglaterra em 1165. Desde pequeno era devoto da Virgem Maria. Morreu em 16 de maio de 1265. Em 1245, quando a Ordem passava por graves dificuldades, Simão Stock, então Prior-Geral, pediu à Santíssima Virgem em orações, na noite de 15 de julho, que enviasse sinais que caracterizassem e defendessem a Ordem Carmelita. A Santa Virgem lhe apareceu com o escapulário (um sinal de serviço), dando-lhe força para superar as adversidades. Essa é uma história atemporal, que os carmelitas gostam de escutar.

2. Santa Maria Madalena de’ Pazzi (25 de maio)

Nasceu em Florença, Itália, em 2 de abril de 1566. Morreu em 25 de maio de 1607. Desde jovem, sentiu-se atraída pelo mistério da Paixão de Cristo. Seu lema era “O Amor não é amado”. Por esse motivo, ela se entregou ao Amado em total devoção. Sua vida foi marcada pela Cruz e pela Luz, pela Noite Escura e pela chama do amor brilhante, pelo sofrimento e pela mais doce e mais profunda alegria possível. Andou sempre na presença do Senhor.

3. Santa Teresa dos Andes (9 de julho)

Juanita Fernandes nasceu em Santiago do Chile em 13 de julho de 1900. Entrou para o convento das monjas carmelitas descalças de Los Andes em 7 de maio de 1919 e recebeu o nome de Teresa de Jesus; viveu plenamente imersa em Deus, tendo Maria como espelho. Tendo feito a profissão religiosa, morreu em 12 de abril de 1920, após uma longa enfermidade e muito sofrimento. Foi o primeiro membro do Carmelo Teresiano da América Latina a ser beatificado em 3 de abril de 1987.

4. Nossa Senhora do Carmo (16 de julho)

Os primeiros carmelitas escolheram Nossa Senhora como sua padroeira e, desde então, são chamados de irmãos Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Em Maria, toda a Família Carmelita encontra um modelo de escuta do Pai por intermédio de Jesus Cristo, pela ação do Espirito Santo. Como mãe e irmã, ela acompanha os carmelitas em seus esforços para viver a dimensão contemplativa no caminho da fraternidade, e solidariedade com todos os homens.

5. Santo Eliseu (14 de junho)

Santo Eliseu, cujo nome significa Deus é minha salvação, foi a figura dominante do século IX a.C., escolhido por Deus para suceder Elias (1 Reis 19, 19). Eliseu foi o mestre e o pai de todos os “filhos de profetas”, que o assistem e obedecem a ele; também gozou de grande influência entre os reis da época. O Carmelo o olha como segundo pai espiritual, depois de Elias, de quem herdou uma dupla porção do espírito, depois que Elias foi arrebatado numa carruagem de fogo. Herdou o espírito de acordo com a lei do primogênito e a dupla porção por causa de dois ou três herdeiros (2 Reis 2, 1-15). Realizou muitos milagres para si mesmo, para outros, para comunidades inteiras. Era um “homem de Deus”. Sua história lendária muitas vezes confunde-se com a de Elias, é lembrada nos dois livros de Reis.

6. Beato Tito Brandsma (27 de julho)

Nasceu em Bolward, na Holanda, em 1881: foi ordenado padre carmelita em 1905. Foi professor de filosofia e de história do misticismo da Universidade Católica de Nimega, onde chegou a Magnifico Reitor. Era conhecido em todo mundo pela infatigável boa vontade para ajudar os outros. Lutou com muito ardor contra a propaganda ideológica nazista e defendeu a liberdade das escolas e da imprensa católica; por isso, foi perseguido, preso e, finalmente, enviado a um campo de concentração. Enquanto esteve ali, deu conforto e paz aos seus companheiros de cárcere. Em 1942, depois de grandes sofrimentos e humilhações, foi morto em Dachau. Foi beatificado em 3 de novembro de 1985.

7. Santa Teresa Benedita da Cruz – Edith Stein (9 de agosto)

Nasceu em Breslau, na Alemanha, em 12 de outubro de 1891. De família judia, completou os estudos de filosofia. Chegou bem perto do ateísmo total em 1913. Como ela mesma disse depois, sua sincera busca da verdade a conduziu Deus. Converteu-se ao cristianismo após ter lido a autobiografia de Santa Teresa. Entrou no Carmelo aos 42 anos. Perseguida pelos nazistas, foi aprisionado junto com sua irmã Rosa. Foi executada na câmara de gás em 9 de agosto de 1942. Sua beatificação ocorreu em 10 de maio de 1987. Como renomada professora universitária de Filosofia, inteligente e famosa, deixou escritas de notável doutrina e profunda espiritualidade.

8. Santa Teresa Margarida do Sagrado Coração – Redi (1 de setembro)

Nasceu em Arezzo, na Itália, em 15 de julho de 1747. Entrou no Carmelo de Florença em setembro de 1764. Com a idade de apenas 22 anos, sua vida foi abreviada por uma peritonite em 7 de março de 1770. Foi beatificada em 9 de junho de 1929 e canonizada em 13 de março de 1934 pelo Papa Pio XI. Seu papel era ser uma testemunha de vida devotada ao amor de Deus: Uma carmelita perfeita, foi uma monja que serve de exemplo de todos os carismas carmelitas em sua integridade e expressão estética e contemplativa; era capaz de conduzir sua alma na mais perfeita união com Deus numa perfeita síntese entre a vida contemporânea e a eficácia apostólica.

9. Santo Alberto de Jerusalém (17 de setembro)

Nasceu na Itália, no século XII. Era bispo de Burgos e Vercelli em 1184 e 1185 respectivamente. Indicado patriarca de Jerusalém, de 1206 a 1214 como exemplo de bom pastor e protetor da paz. Escreveu a regra primitiva da Ordem do Carmo a pedido dos eremitas que moravam no Monte Carmelo.

10. Santa Teresa do Menino Jesus (1 de outubro)

Nasceu em Alençon, na França, em 2 de janeiro de 1873. Entrou no Carmelo de Lisieux muito jovem ainda e lá permaneceu pouco tempo até morrer em 1897. Apesar da brevidade do seu tempo no Carmelo, deixou-nos sua “pequena via” e “infância espiritual”. Sentindo-se pequena diante de Jesus e a falta de suficientes qualidades espirituais para elevar-se até Ele, um dia, quando meditava sobre Provérbios 9, 4 e Isaías 66, 13-15, teve uma visão de que Deus serviria como elevador, louvando-a nos braços e carregando-a até o céu. Exaltava a verdade e o abandono completo nas mãos de Deus. Tinha sede de almas para o Senhor. É a santa padroeira das missões e co-padroeira da França; declarada Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II.

11. Santa Teresa de Ávila (15 de outubro)

Nascida em Ávila, na Espanha, em 28 de março de 1515, morreu em Alba de Tormes, Salamanca, em 4 de outubro de 1582. Entrou no Carmelo da Encarnação, em Ávila, com 20 anos. Teresa é uma das grandes figuras místicas católicas de todos os tempos. Suas obras espirituais são conhecidas no mundo inteiro: Livro da Vida, O Caminho da Perfeição, Fundações. Seus livros contêm uma doutrina baseada na vida da alma desde os primeiros passos até a intimidade com Deus, no centro do castelo. Sua doutrina é marcada pela espiritualidade carmelita, que Teresa era tão notavelmente capaz de transmitir primeiro, às irmãs e guias espirituais, posteriormente para a Igreja inteira, indo além dos muros para todo mundo. Foi declarada doutora da Igreja.

12. Santa Isabel da Trindade (8 de novembro)

Nasceu em 18 de julho de 1880 no acampamento do exército de Côte D’avoir, perto de Bourges, e morreu com 26 anos, como carmelita, no mosteiro de Dijon (França). O Papa João Paulo II a beatificou em 25 de novembro de 1984. Imediatamente após sua morte, em 6 de novembro de 1906, a Madre Superiora escreveu um livro chamado Memórias, contendo as escritas da Santa com os comentários. A profundidade espiritual do livro mostra como é “o perfeito louvor da glória”. A ideia central da doutrina de Isabel da Trindade é que cada pessoa é um “templo vivo da Santíssima Trindade”. Seu mestre espiritual era São Paulo.

13. São João da Cruz (14 de dezembro)

Nasceu em Ávila, na Espanha, em 24 de junho de 1524, morreu em 14 de dezembro de 1591. Foi ordenado sacerdote em 1567. Em setembro desse mesmo ano, conheceu Santa Teresa, que lhe falou do projeto de reformar a Ordem. Ele aprovou as ideias e deu-lhe apoio. Por causa disso, ficou preso de 4 de dezembro de 1577 a 15 de agosto 1578. Ele é doutore figura líder do Carmelo, o que se reflete na vida e obras. Pio XI proclamou Doutor Místico da Igreja em 1926 e declarou as obras de São João “código e escola de almas, tendes a assumir uma vida de perfeição”. O Objetivo final de suas obras é levar o homem a reunião com Deus por meio do amor, tornando o ser humano um seguidor de Jesus. O santo tem grande influência na espiritualidade cristã, mesmo após sua morte.

Referências:

• Santos do Carmelo. Compilação de diversos dicionários

• Louis Saggi • Isabel da Trindade. Cartas

• Isabel da Trindade. Retiro. Encontrando o céu na terra

• Teresa D’Ávila. O Livro da vida

• Teresa D’Ávila. Caminho da perfeição

• Pier Paolo di Bernardino. L’itineraro spirituale di Santa Teresa d’ávila

• Teresa do Menino Jesus. História de uma aluna

• Pier Paolo di Bernardino. L’itineraro spirituale di San Giovanni dela Croce

• Edith Stein. A ciência da cruz